Um figura chamado Cerino

No Dia Internacional da Arte, o artista veio ao mundo

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Basilia Rodrigues
Entrevistas, Notícias
29/11/18 17:44

André Cerino já nasceu caricatura. No Dia Internacional da Arte, o artista veio ao mundo. Foi no Recife, em 10 de setembro de 1964. Quando criança, desenhava. Adolescente, usava seu dom para presentear professores e amigos. Com o tempo, transformou a crítica social em marca forte de seu trabalho como web designer e artista plástico. E desde a edição número 1, é cartunista da Revista Evoke, apresentando algum tema principal da publicação sempre de forma colorida e bem humorada. Conheça mais desse talentoso artista:

REVISTA EVOKE: Como começou sua carreira?

ANDRÉ CERINO: Descobri minha vocação para o desenho quando eu ri de um desenho que a professora fez no quadro. Ela me mandou fazer um melhor. Eu fui para o quadro, fiz o desenho e a classe gostou. Naquela época, eu levava meus cadernos, livros e papéis em branco. Quando os papéis acabavam, eu pegava mais com as outras crianças. Eu tinha 8 anos. Mas a pintura surgiu depois dos 15 anos de idade, quando comecei a frequentar cursos de pintura e desenho na minha escola, em Recife. Nas horas vagas, eu ia às bibliotecas para pesquisar histórias e estilos de artistas consagrados, como Juan Miró, Pablo Picasso, Kandinsky, entre outros.

REVISTA EVOKE: Sua família teve influência na escolha da sua profissão?

ANDRÉ CERINO: Comecei estudando desenhos arquitetônicos com meu avô, que era arquiteto. Depois fui para os desenhos artísticos, formas, cores, sombras, perspectivas. Os colegas e professores me pediam pra ilustrar capas de trabalhos. Num dado momento resolvi fazer caricaturas dos professores e das personalidades – trabalho que desenvolvi com mais profissionalismo quando comecei a trabalhar na imprensa diária. Com as caricaturas, me descobri também chargista, profissão que exerci por muito tempo, ilustrando jornais e capas de revistas. Ganhei salões de humor nacionais e internacionais.

REVISTA EVOKE: Esse início então foi fora de Brasília. O que fazia com as caricaturas?

ANDRÉ CERINO: Eu tinha entre 12 e 15 anos. Dava de presente para os professores e colegas. Às vezes eu trocava por lanche.

REVISTA EVOKE: Quando veio para Brasília?

ANDRÉ CERINO: Vim para Brasília em 1983, aos 17 anos. Na verdade, vim pra conhecer a capital e a arquitetura de Oscar Niemeyer e acabei ficando. Fui contratado no Jornal de Brasília um ano depois, onde trabalhei como ilustrador e chargista

REVISTA EVOKE: Vc veio sozinho? Com seus pais?

ANDRÉ CERINO: Vim sozinho, de ônibus, com uma mochila nas costas. Meu pai morreu em 1970, quando eu tinha 6 anos, num acidente de carro. Minha mãe mudou pra São Paulo e fui criado pelos meus avós paternos

REVISTA EVOKE: Por que Brasília? Por causa de Niemeyer mesmo?

ANDRÉ CERINO: Tenho um tio que mora aqui e me convidou pra conhecer Brasília. Nessa época eu já conhecia por livros o trabalho de vários artistas, como o escultor Bruno Giorgi (Meteoro) e  Alfredo Ceschiatti (A Justiça).

REVISTA EVOKE: Onde fica sua galeria? Em que vc dá ênfase?

ANDRÉ CERINO: No Setor de Indústrias Gráficas, quadra 1, lote 495, Ed. Barão do Rio Branco, sala 309.

REVISTA EVOKE: Como pensou na sua nova exposição, Cápsula do Tempo?

ANDRÉ CERINO: Geralmente os artistas se preocupam com a estética. A imagem sempre foi uma referência das belas artes. Um quadro, para ser considerado de qualidade, tinha de ter o aval das academias de artes e dos críticos. Porém, não se conhecia bem o processo de criação de cada artista. Nesta exposição, eu tiro da gaveta memórias que poderiam ir para o lixo, mas eu quis valorizar os projetos que antecedem o final da obra (rabiscos, rascunhos, anotações, rafs e desenhos), para revelar a verdade que está por trás de cada criação de um quadro.

REVISTA EVOKE: Qual era a profissão dos seus pais?

ANDRÉ CERINO: Meu pai era radialista e fotógrafo. Morreu com 25 anos de idade. Minha mãe não tinha profissão, mas desenhava bem e hoje pinta alguns quadros. Mora no Paraná.

REVISTA EVOKE: Você demonstra ter muitos talentos, Cerino. De que forma utiliza seus desenhos para ganhar mercado?

ANDRÉ CERINO: Há bastante tempo ilustro livros e faço histórias em quadrinhos. Também faço desenhos animados. Com essa experiência que adquiri durante esses quase 35 anos na arte, me descobri também compositor musical e investi num projeto de músicas infantis, que hoje somam mais de 100 músicas inéditas. Muitas já estão disponíveis no site www.turmadocaracol.com.br. Brevemente lançarei um livro ilustrado com as letras das músicas cifradas da Turma do Caracol e um CD, projeto que poderá ajudar pais e professores na musicalização das crianças. Também já estão no ar algumas animações das músicas no canal Turma do Caracol do Youtube.

REVISTA EVOKE: O que é preciso para ser um artista? Dom?

ANDRÉ CERINO: Estudar muito sobre arte, não ter medo de experimentar e de arriscar. Tudo que eu sei de arte foi uma busca e ainda é, incessante. Sou autodidata. Tracei um caminho que pudesse me trazer alegria e levar alegria pras pessoas. Quando estou desenhando, estou me preparando para pintar. Quando estou esculpindo, estou me preparando para desenhar, e assim vai. A gente se surpreende com o que se pode criar, como se estivesse sempre no começo.

REVISTA EVOKE: E, por fim, acredito que a arte é feita de inquietações. O momento político atual te inspira em algo?

ANDRÉ CERINO: Nasci em 64, época de grandes transformações políticas no país. Lembro do meu avô falar pra gente entrar pra casa antes das 22h. Estado de sítio. Não podíamos ficar na rua brincando até tarde. Eu não entendia muito bem o que significava isso. Mais tarde, como chargista, vim descobrir mais sobre a política. Espero, com sinceridade, que a democracia prevaleça. Estamos passando por um processo de amadurecimento ainda. Como artista, acho que tenho a obrigação de ser mensageiro do tempo que vivo.

 

Box

Cerino já ganhou vários prêmios, como Prêmio Direitos Humanos no Salão Internacional de Humor da Cidadania, Menção Honrosa no 3º Salão de Humor de Minas Gerais, 2º lugar no IV Salão de Humor de Minas Gerais, Menção Honrosa no 2º Salão de Humor sobre a Fiscalização dos Gastos Públicos (Unacon), 3º lugar e 1º lugar do júri popular no 3º Salão de Humor sobre a Fiscalização dos Gastos Públicos (Unacon), e 1º lugar no 5º Salão de Humor sobre a Fiscalização dos Gastos Públicos (Unacon). Como artista plástico, ganhou, por exemplo, o 1º lugar no 3º Salão Nacional de Artes Plásticas do Iate Clube, Brasília-DF.

 

 

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