Setembro Amarelo: mês é dedicado à luta pela prevenção ao suicídio

Especialista em saúde mental explica que depressão é o principal fator para o ato

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Revista Evoke
Bem Estar, Saúde
08/09/20 16:19

Estamos no setembro amarelo, mês que marca a campanha de prevenção ao suicídio e preservação da vida com o dia 10, especificamente, sendo o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio. O cenário é triste e alarmante. No Brasil, o suicídio ocupa o quarto lugar no ranking de causas de mortes mais comuns entre os jovens. Além disso, a cada 40 segundos uma pessoa se mata em algum lugar do mundo.

Apesar de ser um assunto muito sério e que deve ser debatido, o tema ainda é tratado como tabu. Muitas pessoas acreditam que quanto mais falar sobre o tema, mais pessoas terão o pensamento de cometer o suicídio. Entretanto, especialistas dizem que cerca de 90% dos casos de suicídio poderiam ser evitados se houvesse um auxílio psicológico. Entretanto, nem todos sabem que sofrem com transtornos mentais e precisam de ajuda.

Segundo a psicóloga e especialista em saúde mental, Andréa Chaves, é extremamente importante falarmos mais sobre o tema e a saúde mental como um todo. “As pessoas com acesso à informação podem buscar o conhecimento que precisam e desmistificar os mitos acerca do tema, aqueles famosos ditos populares ‘ah isso é frescura’, é coisa de gente fraca’ e ainda ‘é coisa do diabo”, pontua.

A principal causa do suicídio é a depressão. Para a psicóloga é preciso que as pessoas estejam atentas a certos sinais de alerta. “Humor depressivo (rebaixamento afetivo), redução da capacidade de experimentar prazer na maior parte das atividades, antes consideradas como agradáveis, fadiga ou sensação de perda de energia e diminuição da capacidade de pensar, de se concentrar ou de tomar decisões. Há ainda mudanças de comportamento, como o retraimento social, crises de choro, comportamentos suicidas e retardo ou agitação psicomotora”, ressalta.

 

Suicídio x isolamento social

Os efeitos da pandemia do novo coronavírus não são só econômicos mundialmente. Especialistas alertam que o período que estamos vivendo já provoca reflexos na saúde mental. No Brasil, algumas estatísticas preocupam ainda mais, o país tem apenas um terço do número de leitos psiquiátricos por habitante recomendado pela OMS.

A expectativa é que realmente os transtornos mentais aumentem, como depressão, transtorno de ansiedade e uso de substâncias, o que pode influenciar justamente no crescimento de casos de suicídio por todo o mundo.

Andréa Chaves destaca que “estar confinado e isolado da sociedade pode ser um agente de combustão para o suicídio. Além de não estar com quem se gosta, conversar, se distrair, problemas financeiros, de saúde, além do medo, da insegurança também influenciam para a tomada desse tipo de decisão”.

“Vamos cuidar mais na nossa saúde mental e também pensar mais no próximo. Diga uma palavra de apoio e incentivo para quem você conhece, mesmo que seja de forma virtual. Às vezes uma atitude é crucial para evitar uma tragédia. E o mais importante, não se cale! Se você é a pessoa que está passando por algum problema e chegou a pensar no assunto, busque ajuda especializada. Converse e exponha o que está sentindo. Sua vida é o seu bem mais precioso”, finaliza a psicóloga.

 

 

 

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