Se não gosto, é ruim

O conceito que é usado de forma incorreta

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Johil Carvalho
Cinema, Entretenimento
10/08/18 15:39

Há um conceito comum de classificar tudo do que não se gosta como algo ruim. Esse conceito por vezes pode separar todo um ramo cultural de novos prováveis consumidores.

Como, por exemplo, quando não gostamos de um ritmo musical, acabamos por classificar todo aquele setor como produtor de músicas ruins, o que não é verdade. As músicas que chegam hoje ao grande público são em sua maioria muito bem produzidas e arranjadas, ou seja, são produtos de qualidade, mesmo que possam não agradar ao ouvido de todos. Entender que, não gostar de um ritmo, não desqualifica a música, pode abrir a possibilidade de o ouvinte encontrar, mesmo dentro de uma classificação a qual não tem tanto apreço, uma ou outra música que acabe por agradá-lo, seja pela letra, pela melodia ou mesmo pelo conjunto dela, sem que ele seja obrigado a se tornar um apreciador do ritmo.

Dentro do cinema o mesmo ocorre, a exemplo do cinema nacional que, mesmo com o lançamento de títulos de altíssima qualidade que alcançaram grande público, ainda é possível ouvir pelas ruas a famosa frase: “Não gosto de cinema nacional”.

Essa frase se perpetuou na década de 70, época das pornochanchadas, que ganharam a fama de filmes populares existentes apenas pelo apelo sexual e, não gostar de filme nacional àquela época, dava ao interlocutor um ar de inteligente e cult.

Bem, os tempos mudaram, o cinema nacional mudou e hoje falar que não gosta de cinema nacional pode parecer uma generalização descabida, até porque o cinema nacional é uma categoria muito ampla que comporta ficção, documentário e vários gêneros como comédia, drama, terror, trash, biográfico, etc.

Além disso, a retomada do fazer cinema no Brasil ainda é recente (década de 1990) e reaprender leva tempo, investimento e por consequência leva também às falhas. É natural, dentro do aprendizado tanto do fazer cinema, quanto do mercado cinematográfico que produtores e diretores, em especial os independentes, ainda patinem em um ou outro aspecto.

Sempre é bom lembrar que os filmes estrangeiros que chegam ao Brasil, são a representação do melhor que o país exportador tem a mostrar, além de que eles contam com indústrias experientes, forte investimento e quase o monopólio de exibições.

Para que possamos ter mais filmes com “qualidade de exportação” temos também de ter mais diretores e produtores que arrisquem o erro, que possam continuar uma carreira de produção para que haja um aprendizado constante, que tenhamos a nossa marca cultural em nossos filmes, sem que sejam apenas a imitação de filmes de fora.

Para isso, o apoio do público é essencial. É de suma importância que os filmes tenham onde ser exibidos e, principalmente, que queiram ser vistos. Proponho ao público, que ao assistir um filme nacional, tente se ater aos aspectos positivos, reforce-os, incentive os produtores, pesquise sobre o diretor, veja seu próximo filme, acompanhe sua evolução e melhoria, faça críticas construtivas pelas redes sociais, lembre-se de elogiar as partes boas, participem da construção de uma nova cultura no nosso país.

Que a nova frase dita pelas ruas seja: “Gosto mesmo, é de cinema nacional!”

 

 

Revista Evoke

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