Racismo para todo lado

Negros são maioria na realidade das ruas, mas não são vistos na mesma proporção dentro de escolas ou no mercado de trabalho

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Basilia Rodrigues
Lifestyle, Tonalidade
25/07/19 09:20

Foto: Pexels

 

Não se esconda atrás da sua cor, o racismo é problema de todo mundo. Atrapalha vidas, destrói a auto estima e compromete a produtividade das pessoas.

O alvo sente mais, inegavelmente. Só que o racismo e seus estragos vão além da mira, têm efeito corrosivo, atingem um ponto e se alastram feito metástase.

Nesse contexto, a maçã podre faz muito mal, sim, porque se mistura e segue contaminando todo pomar.

Não se esconda atrás da sua cor, você pode ser branco, pardo, negro, qualquer tom, e também combater o racismo.

Você, com certeza, já deve ter ouvido argumentos sociais, morais e políticos de combate ao racismo – quase sempre classificados de “mimimi” por quem não vê o racismo, ou não quer ver. Em meio à crise mundial nas finanças, eis uma outra razão para combatê-lo: o racismo prejudica a economia de um país. É que o preconceito significa menos oportunidade, menos chances de ter uma vida melhor, menos igualdade, mais pobreza, mais hostilidade, mais vulnerabilidade social.

O racismo é errado e diferentes lados políticos concordam. Ou se não, ao menos tentam refletir. O apelo econômico complementa o arcabouço de motivos para brigar contra este mal. Caberia uma reforma no pensamento humano para reduzir o rombo do preconceito na União, nos Estados e municípios.

Ninguém quer envelhecer sem aposentadoria, conseguirá viver sem o racismo?

Do jeito que está hoje, a conta não fecha. Negros são maioria na realidade das ruas, mas não são vistos na mesma proporção dentro de escolas ou no mercado de trabalho.

A Organização das Nações Unidas, assim como outras entidades pelo mundo, defende que o racismo seja combatido pelo Poder Público, com políticas públicas, porque além de todo impacto para a vida do cidadão e da sociedade, o racismo também prejudica o desenvolvimento de um país.

“As pessoas se sentem discriminadas em diferentes setores – quando vão procurar emprego, quando tentam ser parte de um grupo social. E existe um custo social e um custo econômico dessa discriminação: Isso gera segregação”, afirmou o economista mexicano Luis Felipe López-Calva, diretor regional para América Latina e Caribe do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), à BBC News. Essa é a agência da ONU voltada para o combate à pobreza.

Se uma pessoa não alcança uma vaga de emprego por causa da cor da pele, ela não tem condições de contribuir com o crescimento econômico de um país. Essa discriminação, velada ou explícita, gera um indicador inconteste: mais um na fila dos 14 milhões de desempregados no Brasil. A ponto de ele preferir não colocar foto 3×4 no currículo para que a imagem não o “atrapalhe” na hora de ser chamado para entrevista.

Racismo não deveria ser pauta que divide direita e esquerda. Mas é. Ainda que existam argumentos para combatê-lo dos dois lados. Desde sua existência a formas de diminuí-lo, o tema ainda divide.

Mas ele existe. Ele é errado. Ele limita.

 

 

Revista Evoke

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