Quem se lembra quando o aeroporto era assim? Brasília já tem muitas memórias…

Sim, o aeroporto de Brasília já teve um pátio aberto, sem fingers, esteiras rolantes e as parafernálias modernas que nos deixaram mais distantes uns dos outros

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Marcia Zarur
Notícias, Olhar Brasilia
19/01/18 17:43

Antigamente, famílias inteiras iam ao aeroporto pra se despedir de quem viajava. E era uma delícia ficar na mureta dando tchau, enquanto o viajante subia a escadinha e se despedia, antes de entrar no avião. Aeroporto era programa, mesmo que fosse só pra ver os aviões chegando e partindo. Você se lembra?

Resolvi escrever sobre isso porque esta semana recebi, de várias pessoas diferentes, uma série de fotos antigas de Brasília. Se você não recebeu, compartilho algumas também por aqui.

A filha de uma amiga, que só tem 11 anos, viu as fotos e perguntou: mas cadê a piscina de ondas? Engraçado, que ela nem viveu a época, mas guarda a memória dos pontos marcantes da cidade pelo relato dos pais e dos avós.

 

Quem descreve aquela Brasília fala sempre com tanta emoção, que acaba contagiando os mais novos. De certa forma, é o orgulho de ser brasiliense, passando de geração para geração. É também a forma mais eficiente de guardar a memória dessa linda jovem cidade.

 

A página Histórias de Brasília, de João Carlos Amador, resgata muito desse passado e faz a gente voltar no tempo. Eu tomei a liberdade de pegar emprestadas algumas “relíquias” da página, que fizeram parte da minha vida candanga.

 

Nely – a ‘elefanta’ símbolo do Zoológico

Desde muito pequena me lembro da Nely. Era o bicho que a gente mais gostava de ver quando ia ao Zoológico. E uma das minhas maiores frustrações de infância foi ter perdido o passeio de elefante, nas costas da Nely, na festa de abertura do supermercado Jumbo, no Gilberto Salomão.

 

 

W3 – tudo passava por ali

A avenida mais charmosa da minha infância era o endereço das lojas onde comprava-se de tudo. Fofi, Bibabô, Pioneira da Borracha. Almoço chique era no Roma… Com sorte parávamos na Vovó Vita, na comercial da 305 sul, pra um salgado com guaraná Antártica caçulinha. Estudei muito na Biblioteca Demonstrativa, que na época se chamava INL – Instituto Nacional do Livro. Vi peças de teatro no Galpão/Galpãozinho e no Teatro da Escola Parque. E aprendi a andar de ônibus na avenida, pegando o Grande Circular.

 

 

Parque da Cidade – e o parquinho Ana Lídia

Se a Piscina de Ondas, lembrada por quem nem a conheceu, não fazia parte da minha rotina, o Parquinho Ana Lídia era parada obrigatória quase todo fim de semana. O Foguete já estava la e, desde então, era a principal vedete entre os brinquedos. Pipoca, algodão doce e muito pique pra brincar como se não houvesse amanhã. Isso foi numa época em que o Parque da Cidade se chamava Rogério Pithon Farias…

 

 

Cinemas antigos

Sempre tive paixão por cinema! Já escrevi aqui sobre as antigas salas de cinema da cidade. Era uma alegria ver filmes no Atlântida, Cine Karim, Cine Marcia, Karim Criança e Drive-in. Era no Drive-in que eles instalavam umas mesinhas na janela do carro pra servir o lanche. No Truc´s da 108 Sul também. Se você não quisesse sair do carro, eles ofereciam o crepe macaquito e os sanduíches nesse esquema “moderno”.

 

 

Zoom – a boate mais badalada

Eu não perdia as matinês da Zoom aos domingos. Se o Gilberto Salomão já era o point dos jovens, a boate era o lugar de encontro e de paquera na década de 80. O melhor do rock nacional, “somos tão jovens…”, e na saída, o churrasquinho no Pettit Grill.

 

São só algumas das muitas lembranças dessa Brasília das antigas. Uma cidade que tem muita história pra contar. Já tem gerações de nascidos aqui. Tem cara, tem povo, tem identidade, tem memória, tem orgulho e tem coração.

 

Se perdemos em qualidade de vida, e sentimos falta dessa Brasília que não volta mais, nos cabe pensar o futuro e garantir uma cidade acolhedora e amigável para nossos filhos e netos. Uma cidade que também deixe essa saudadezinha boa que a Brasília da minha infância deixou.

 

Este texto foi originalmente publicado no site Olhar Brasília.

 

Revista Evoke

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