Prazer, coworking!

Conheça mais sobre os espaços colaborativos que estão fazendo a cabeça de empreendedores

Amanda Pessoa
Economia, Notícias
13/08/18 17:45

Conhecer novas pessoas. Gerar conexões. Criar oportunidades. Essa era a ideia dos empresários Flávio Mikami, Thiago Masuda e Alexandro Gomes. Depois de visitar vários lugares em São Paulo e fora do país, eles conheceram o conceito de coworking, em tradução livre significa co-trabalho, que nada mais é do que escritórios compartilhados. “Foi paixão à primeira vista… Ver pessoas de diferentes áreas compartilhando o mesmo espaço, trocando ideias e informações, aquilo era sensacional!”, afirma Mikami. Foi assim que eles decidiram montar um espaço que pode explorar o máximo da economia criativa e colaborativa.

Atualmente o lugar tem 8 empresas em salas privativas e mais de 20 compartilhando as bancadas, fora os profissionais liberais, estudantes e servidores públicos em teletrabalho. O lugar acomoda mais de 250 pessoas. “Temos uma copa de apoio com geladeira, micro-ondas e o mais requisitado de todos: o cafezinho quentinho!”, enfatiza o empresário. O bom convívio é fundamental. Para isso, o local conta também com TV, Netflix, TV a cabo, XBOX e até mesmo um videokê.

Os espaços colaborativos começaram a surgir no Brasil entre 2007 e 2008. Hoje, se transformaram em uma tendência. De acordo com dados do Censo Coworking Brasil de 2017, já são cerca de 810 espaços registrados, mais 114% em relação à 2016. Em 2018, a expectativa é que essa modalidade cresça ainda mais. Esses espaços atraem principalmente empreendedores e profissionais autônomos. Duas principais vantagens são a economia em relação aos custos de aluguel e o networking. Como várias empresas funcionam no mesmo local possibilita a troca de experiências.

Os jornalistas Renato Ferraz e Tiago Falqueiro, e as especialistas em redes sociais Paula Zagotta e Anna Bernardes resolveram investir em um coworking na QI 9, do Lago Sul. O local funciona da seguinte forma:  nos espaços livres (open desk), o cliente chega, escolhe uma posição e a usa diariamente; nos espaços dedicados, reserva uma posição, põe um PC ou notebook e tem acesso integral ao ambiente (sem distinção de dias ou horários). Tem também os escritórios e salas de uso exclusivo para grupos que podem variar de duas até 18 pessoas. O lugar também oferece serviços agregados importantes: atendimento telefônico, anotação e repasse de recados, serviço de entrega de documentos em todo o DF, sala de reuniões (previamente agendada), estacionamento, internet, copa e cozinha à disposição. Há até uma charmosa rede nordestina na área chamada de “espaço para descompressão”, com direito a TV de tela plana (concorridíssima em dias de jogos de futebol).

Pensando nesse conceito foi que os empresários Flávio Freitas e Rodrigo Amorim também montaram um espaço. “Estávamos procurando um local que pudesse abrigar nossa startup e não encontrávamos. Queríamos instalações legais e um ambiente de negócios num mesmo lugar. Resolvemos criar um espaço que tivesse as duas coisas ao mesmo tempo! Um lugar que pudesse ajudar o desenvolvimento de um ecossistema empreendedor forte para Brasília”, ressalta Rodrigo. O local localizado na Asa Norte oferece salas privadas (companies) que podem ser semestrais ou anuais. E as cadeiras rotativas (hot desk), que são por hora, por dia ou mensais. Além das salas de salas de reuniões e um lounge para eventos.

Com um investimento de mais de meio de milhão de reais, o empreendimento já colhe lucro do primeiro mês. “Já comercializamos cerca de 35% dos espaços. Já está valendo muito a pena. É muito de bom trabalhar, a convivência a troca de ideias e de energia está sensacional. Nunca foi tão divertido e prazeroso ir pro trabalho como está sendo agora!”, fala animado o empresário Rodrigo Amorim.

A publicitária Mirian Lindgren também recorreu a essa ideia. Ela percebeu que o espaço tem impressionado até os clientes e tem agregado valor ao trabalho realizado por ela e pela equipe. O local faz que com eles se sintam mais confortáveis e valorizados pela qualidade do espaço. “Estou achando a experiência incrível. É agradável, amigável, favorece o networking e a troca de conhecimento entre os usuários”. Para Anna Luiza Maximo, que saiu do serviço público para se dedicar ao seu próprio negócio, o coworking é o ambiente ideal.  “A proposta está alinhada ao que eu acredito sobre ocupação de espaços e fluidez de uma empresa. O que eu mais gosto é do respeito que temos com a rotina do outro: não é uma barulheira! A gente se cuida como se estivesse trabalhando com amigos (papos no café muito agradáveis, compartilhamento de lanchinhos e outras gentilezas) mas se respeita enquanto profissionais querem se concentrar e ter um ambiente agradável, sabe? É o antiescritório tradicional que eu queria!”.

De acordo com o presidente da Associação Nacional de Coworking e Escritórios Virtuais (ANCEV), Ernisio Martines Dias, Brasília tem cerca de 50 espaços colaborativos. Para organizar cada local, são contratados pelo menos 4 funcionários, portanto geram 200 empregos diretos. De acordo com pesquisa, o modelo de negócio gerou mais de 56 mil estações de trabalho espalhadas pelo país.

 

 

Revista Evoke

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