Por que os idosos viraram o alvo?

Confira algumas dicas para não ser uma vítima

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Revista Evoke
Notícias, Segurança
14/08/18 16:04

Você sabe o que é Lothur? é o deus grego da trapaça.

Em março de 2018, uma operação inusitada que foi batizada com esse nome peculiar, tomou as manchetes de diversos meios de comunicação em Brasília. Tratava-se de uma fraude de mais de meio milhão de reais orquestrada por uma quadrilha que, para ser presa, movimentou uma investigação especialmente preparada pela Polícia Civil do DF. Mais de 80 pessoas foram vítimas dos bandidos. O detalhe mais devastador foi: todas eram pessoas idosas.

Agora, uma pergunta ainda mais interessante vai lhe deixar com os cabelos em pé. Qual a chance de estarmos tratando de um problema mundial e não de um caso isolado do Brasil? Para a sua segunda surpresa nessas poucas linhas, lhe esclareço que o caso abrange todos os continentes.

Em uma pesquisa do FBI, divulgada pela revista americana Home Defender, especializada em estratégias de defesa pessoal e familiar, há cinco motivos que tornam os idosos acima de 65 anos mais vulneráveis para golpes financeiros, especialmente pela internet e por telemarketing:

  1. Normalmente preferem sacar dinheiro e tê-lo em casa, usando-o quando necessário, por desconfiarem dos sistemas financeiros ou não terem habilidade para lidar com aplicativos e transações eletrônicas;
  2. Pessoas nascidas nos anos 40 e 50 nutrem valores morais e pessoais que as fazem acreditar que não serão enganadas e todos são “do bem”. Tornam-se presa fácil para os enganadores e para malandros que usam o subterfúgio da insistência para atingir o que desejam;
  3. Também se envergonham quando têm que admitir que foram vítimas de fraudes ou quando precisam perguntar onde deveriam ir para denunciar tais falcatruas. Dessa forma é mais difícil que as autoridades policiais saibam quando esses delitos acontecem e possam combatê-los;
  4. Os bandidos se valem da dificuldade de alguns idosos em memorizar detalhes dos esquemas fraudulentos ou das características de como a fraude ocorreu. Testemunhar contra eles fica muito mais complicado;
  5. Os idosos se tornam mais suscetíveis quando lhes é oferecido algum tipo de serviço que facilite seu cotidiano, tais como ofertas de investimentos financeiros atrativos, medicamentos mais baratos e até produtos médicos ou de longevidade com valores em conta.

Mas o que fazer para evitar tais situações? E também estou falando de nossos familiares nesse processo preventivo.

O Psicólogo Thomas J. Nardi, especialista americano em gerenciamento de crises, inicia abrindo nossos olhos para coisas bem simples:

  • Compreenda que seus pais, parentes ou amigos idosos precisam ser educados quanto a esse tipo de crime. Explique que não se tratam de coisa de TV e como devem ser sempre cautelosos nos casos que envolvam tais criminosos;
  • Relembre que é importante não responder a chamadas telefônicas não identificadas (sem número no visor), estranhos (que não constam na agenda) ou desconhecidos (tipicamente com DDD interestadual). Deixem a ligação cair na caixa postal. A quem não é dada a oportunidade de falar com você, não é oferecida a possibilidade de lhe enganar;
  • Alguns sistemas de atendimento mais modernos lhe compreendem e adotam ações pré-determinadas, identificando a sua resposta verbal ou reconhecendo os números digitados em seu teclado. Pela voz, o SIM ou o NÃO são os mais conhecidos comandos. Nesses casos, em sendo uma chamada desconhecida, evite responder usando o sim. Ele pode ser gravado pelo sistema dos fraudadores e utilizado para validar compras e serviços desses bandidos;
  • Bancos e agências governamentais não costumam lhe contatar por telefone e nem ligar apenas para pedir confirmação de dados sem que haja uma razão muito forte. Caso isso ocorra, oriente o idoso com quem você se relaciona para que lhe ligue e peça ajuda para resolver. Isso impede que ele engaje uma conversa com quem fez o contato;
  • Por último, parte do que idosos deixam ocorrer consigo vem da solidão. É comum que eles se sintam confortados com a forma gentil e carinhosa com que são tratados pelos atendentes, chegando inclusive a formular diálogos que nada têm a ver com o motivo do contato. Isso ocorre pelo simples fato de se sentirem prestigiados por quem fez a ligação.

Por fim, lhe dou outros insights bastante úteis, em se tratando desses tipos de fraudes:

  1. Cuidado com pedidos vindos de instituições de caridade que não lhe sejam familiares. O apelo emocional (que vai de supostas crianças em desamparo até abrigos de filhotes abandonados) também é um dos carros-chefes para golpes;
  2. Caso realmente haja interesse em colaborar com instituições de caridade por intermédio de doações, faça-o acompanhado de alguém que o oriente e se pergunte se o valor que lhe está sendo solicitado realmente seria utilizado de forma correta – e não desviado criminosamente;
  3. Se você, idoso, for o solicitante de algum tipo de serviço, pague após a conclusão da atividade. Em sendo possível, sempre peça para que uma pessoa conhecida esteja presente durante a tarefa a ser feita;
  4. Serviços e entregas residenciais, solicitados por telefone e feitos por empresas ou terceirizados são uma mão na roda. Ao optar ou ao lhe oferecerem essa modalidade, peça a identificação do profissional enviado a sua casa para fazer o serviço. E adicionalmente para ver um documento com foto, como a habilitação. Mesmo que seja o motoboy;
  5. Seus dados pessoais devem ser tratados como dados pessoais. O que quero dizer com isso é que dá-los a outras pessoas é quase a mesma coisa que você estar realizando uma transação financeira, mas pelas mãos de outros indivíduos, que foram chancelados por você.
  6. Caso o idoso já tenha sido vítima de alguma fraude, seus dados descobertos ou outras informações confidenciais tenham sido disponibilizadas, cuidado com pessoas que possam lhe pedir dinheiro em troca de seu silêncio, ou que voltem a lhe atrair com outras facilidades, normalmente travestidas de dinheiro fácil.

Os golpes estão cada vez mais elaborados e quem os aplica está inovando a cada dia. Nesses casos, de forma antecipada, as forças policiais não podem fazer muita coisa. Suas defesas mais efetivas sempre serão a sua dedicação, traduzida em uma conversa carinhosa, o aconchego familiar e o bom e velho poder da informação.

 

 

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