Por que o AMBER não chega aqui?

Vamos entender porque o sistema de emergência com crianças ainda não existe no Brasil

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Cel. Leonardo Sant'Anna
Notícias, Segurança
21/12/18 17:45

Já fazia meses que eu não tomava um susto tão grande com o meu celular quase explodindo com aquele som aterrorizante. Ouvi-lo aqui nos EUA é – e sempre será – uma situação de pavor e dor no coração.

Era o alerta AMBER. Mas você sabe o que nossos filhos têm a ver com isso?

Em 1996, depois do desaparecimento e posterior assassinato de uma menininha de 9 anos, Amber Hagerman, na cidade de Arlington, no Texas, foi criado o sistema nos Estados Unidos. Hoje centenas de crianças foram recuperadas utilizando exclusivamente esse modelo. Do nome dela veio o sistema: A.M.B.E.R. – America’s Missing: Broadcast Emergency Response ou Transmissão para Resposta Emergencial de Desaparecimento na América.

O som é completamente diferente e altíssimo. Ele vem acompanhado de siglas que indicam os detalhes do desaparecimento:

“#FLAMBER, Pinellas Cnty, Jordan Belliveau B/M 2yo, wht Toyota Camry, poss w/ B/M “Antwan”.

Gente, estamos falando de algo que toca NO SEU CELULAR e alerta sobre algo de importância inimaginável. Outdoors digitais e até o Google estão envolvidos nisso. Sabe o por quê? Porque é impossível mensurar o valor da segurança dos seus filhos. Ninguém consegue. E essa verdade é U-NI-VER-SAL.

Aí vem a tal pergunta mestra: “Então vamos fazer no Brasil, ué?”. Mas você imediatamente se frustra e acaba se juntando a todos os que já me ouviram falar sobre iniciativas assim. E percebam: temos dificuldade em aceitar algo inovador. E ter um AMBER brasileiro é novo. Para nossa realidade, é inclusive disruptivo. A junção dessas duas coisas cria o que costumo chamar de IDS – Inovação Disruptiva em Segurança. Isso é um grande destruidor de burocracias e sistemas procrastinadores.

Só para deixar claro: inovação disruptiva é um termo criado pelo professor Clay Christensen, da Harvard Business School, onde estive em setembro deste ano. E tudo que é disruptivo, segundo Clay, recria e dá mais valor a algo que estamos acostumados a ver e ter. E pra ser bem franco, destrói pensamentos e produtos tidos como intocáveis, chegando como uma solução, um substituto melhor, mais barato e que possivelmente eliminará o que já existe. Portanto, quem ainda supostamente se dá bem com problemas de segurança ficará para trás.

E o que isso tem a ver com as crianças? Vocês devem se lembrar que as únicas coisas que temos para resolver o problema de meninos e meninas desaparecidos no Brasil são: 1. Normas que pedem para que esperemos 48 horas para ver se realmente alguém sumiu; 2. Ligar para a casa dos coleguinhas e depois para o 190, esperando que tenhamos algum auxílio e 3. Esperar para que o rosto dos nossos anjinhos surjam em uma fotografia minúscula de uma conta de luz do mês seguinte.

Precisamos sair desse mundo de elementos básicos. As fotos de baixíssima qualidade em continhas mensais, apesar de terem sido uma excelente iniciativa, já não são mais efetivas.  O mundo muda a cada segundo.

A pergunta que fica é: por que temos tanta dificuldade em implantar uma iniciativa tão boa em um país como o nosso? O que provoca a demora de projetos como o do deputado federal Delegado Francischini de implementar isso para nossos pequeninos?

E, afinal, qual a solução? Engajem-se. Só isso. Sugiro uma boa campanha com apoio da nossa querida Revista Evoke para mudarmos a história de pais e filhos que tentam suportar uma dor que nunca conseguiremos, nem de longe, descrever. Um movimento que os liberte das amarras de uma lei que nunca sai de um sistema negativo e burocrático que está emperrando a chegada de um remédio com poder de cura quase milagroso.

Vamos? Ou você acha que nossos telefones são menos inteligentes que os aparelhos dos americanos?