O esporte como enfrentamento da Diabetes Mellitus na Adolescência

Diabetes Mellitus é uma doença crônica resultante do desequilíbrio dos níveis de glicose no sangue, tendo como principal característica a hiperglicemia

https://revistaevoke.com.br/wp-content/uploads/2017/07/revista-evoke-colunista-allan-lucena.jpg
Allan Lucena
Bem Estar, Fitness
06/08/19 10:47

A adolescência é marcada por mudanças psicoafetivas e de conduta, estando vulnerável a fatores psicossociais, fase esta que abrange idades entre 10 e 20 anos, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS). As transformações biológicas de puberdade são universais e visíveis, modificando as crianças, dando-lhes altura, forma e sexualidade de adultos. Essas alterações, por si só, não transformam a pessoa em um adulto completo, ainda inclui-se as alterações cognitivas, sociais e de perspectiva sobre a vida futura.

E é na adolescência que a Diabetes Mellitus pode surgir. Uma doença crônica resultante do desequilíbrio dos níveis de glicose no sangue. No tipo 1 (DM1), o pâncreas não consegue produzir insulina suficiente. No Diabetes Mellitus tipo 2 (DM2), a insulina produzida pelo pâncreas não age adequadamente nas células do corpo devido a uma resistência do corpo à ação dela.

Contaremos com a opinião e experiência da Dra. Vanessa Corvino, 28 anos, especializada em Pediatria. Ela é diabética, do tipo 1 e desde os 10 anos convive com a doença. Convidei também os irmãos Eduardo Ghilardi, que é diabético tipo 1 e Vinicius Guilardi, que não possui nenhuma doença crônica, mas figura o importante papel da família no processo de tratamento e aceitação da descoberta da doença.

 

Foto: André Mandelli

 

A principal característica da doença é a hiperglicemia (elevação dos níveis de glicose no sangue), que pode se manifestar por sintomas como polúria (excesso de urina), polidipsia (sede aumentada), perda de peso, polifagia (fome aumentada) e visão turva. Foi exatamente assim que Eduardo teve o seu diagnóstico. “Eu tinha uma vida normal até metade do ano de 2018 e de um mês pro outro perdi 10kg, urinava muito e bebia muita água, fiz muitos exames e em um certo dia, em sala de aula, recebi uma ligação da minha mãe dizendo que eu tinha DM1. Imediatamente meus pais me levaram para o hospital, de onde só fui sair uma semana depois, porém com tudo sob controle embora com a vida totalmente modificada”.

A DM1 é Classificada como uma doença crônica e incurável (American Diabetes Association, 2013), ou seja, de progressão lenta e requer treino especial do paciente na reabilitação, supervisão, observação ou prestação de cuidados que envolvem alterações permanentes nos estilos de vida dos pacientes, pois o decurso da doença é imprevisível (Leblanc et al, 2003). Portanto, é administrada clinicamente através de quatro pilares básicos: insulinoterapia, dietoterapia, monitorização e principalmente atividade física, esporte ou treinos constantemente variados. Todas dependentes do processo de adesão do paciente. “A melhor estratégia é a aceitação da doença, saber que ninguém é culpado e que não havia nada que pudesse ser feito para evitar o desenvolvimento da doença, já que é um processo autoimune”, ressalta a Dra Vanessa. Ela explica que, embora o DM1 seja mais comum em crianças e adolescentes, o aumento da obesidade infantil em conseqüência dos maus hábitos alimentares tem mudado um pouco a incidência do DM2, que antes era mais comum em adultos e idosos.

 

Aplicação de insulina ultrarrápida / Foto: Tomada Criativa

 

Nesse sentido, a atividade física vem para prevenir ou remediar, pois seu principal papel dentro do tratamento da DM1 é de proporcionar melhor aproveitamento da glicose pelos músculos, com o benefício de redução até de doses dos medicamentos utilizados e prevenir doenças associadas ao Diabetes. Se considerarmos o exercício físico como um “medicamento’’ obrigatório para o diabético, cada um terá uma dose ideal, assim como é para pessoas saudáveis. De forma simples, indica-se de 30 a 60 minutos de atividade física diária, seis vezes em média por semana, ou seja, doses diárias de treinamento, e a intensidade vão variar se o indivíduo for sedentário, intermediário ou avançado. Obrigatoriamente deverá passar por especialista como médico especializado na doença, nutricionista e profissional de educação física. “A atividade física vem como terceiro componente do tratamento, sem ele as coisas não funcionam bem. Qualquer atividade física é bem-vinda, por isso deixo o paciente à vontade para escolher a atividade física com a qual ele mais se identifique. Só não vale ser sedentário”, enfatiza Vanessa.

Os pais são muito importantes nesse processo de propiciar autonomia ao filho (a), por necessidade ou emergência. Eduardo, sobre isso, diz o seguinte: “Meu irmão sempre está ao meu lado e sempre vai estar comigo em todos os momentos que eu precisar.” Já Vinícius, o irmão guardião, relatou que ficou assustado, porém tem um papel crucial no tratamento. “Na medida em que fui entendendo, percebi que não era uma coisa passageira. Ficamos uma semana longe com a sua internação e a saudade era grande. Hoje o ajudo no que posso, malhamos juntos, não deixo faltar, ajudo na alimentação, aprendi a aplicar as insulinas, monitorar a glicemia e sei como agir em caso de emergência. Admiro meu irmão pela sua força e superação diária”.

Descobrir a diabetes na adolescência requer importante observação no início por parte da família para que a aceitação seja algo natural, estabelecendo uma dedicação em cuidar da alimentação, pois é de onde ela pode colher as melhores respostas, sempre em um equilíbrio entre insulinização adequada e atividade física regular pra toda vida.

 

 

Revista Evoke

Acompanhe todas as novidades pelo instagram.