Norbertor Fischer

Ele batalhou para que a filha pudesse utilizar um dos componentes da maconha

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Basilia Rodrigues
Entrevistas, Notícias
21/08/19 09:10

O responsável pela “nova vida” de Anny, Norberto Fischer, é o pai dela. Anny é a primeira brasileira autorizada judicialmente a importar um derivado da cannabis para uso medicinal. Aos 4 anos de idade, Anny foi diagnosticada com a CDKL5, uma rara síndrome que não tem cura. Após diversas tentativas com cirurgias e medicamentos de resultados desanimadores, Norberto teve que buscar outras soluções mais bruscas.

 

Norberto Fischer

 

EVOKE: Fale um pouco sobre a doença da sua filha e como a cannabis medicinal ajuda no tratamento?

NORBERTO FISCHER: Minha filha Anny nasceu com um erro genético denominado CDKL5, aos 40 dias de vida ela teve sua primeira convulsão e demoramos 4 anos para conseguir o diagnóstico. Entre as diversas características da Síndrome, estão as convulsões de difícil controle e autismo. Com o uso do CBD (que significa canabidiol) conseguimos combater parte das convulsões.

 

EVOKE: Como você descobriu os benefícios que o canabidiol poderia trazer para a sua filha?

NORBERTO FISCHER: Minha esposa estava buscando na internet alguma coisa que pudesse ajudar. Um belo dia ela viu em um site americano de apoio às famílias com filhos com CDKL5, um dos pais publicou falando que iria usar o CBD. Nas semanas seguintes esse pai relatava as melhoras e o efetivo controle das crises. Resolvemos estudar o assunto e descobrimos que o CBD é derivado da maconha.

 

EVOKE: Como foi descobrir sobre o CBD e como começou o uso dele?

NORBERTO FISCHER: Foi um choque, pois além do preconceito com a planta, sabíamos que era ilegal no Brasil, mas o desespero de ver Anny cada dia pior nos motivou a tentar o uso. Com isso começamos a usar, ilegalmente, no dia 11 de novembro de 2013. Após nove semanas Anny reduziu o número de crises de 60 por semana para zero.

 

EVOKE: Há quanto tempo a sua filha usa o canabidiol e como você conseguiu na justiça a liberação para usá-lo no tratamento?

NORBERTO FISCHER: Anny começou no dia 11 de novembro de 2013, em fevereiro de 2014 na tentativa de importar o CBD, fomos “pegos” e Anny ficou sem o CBD. Em 10 dias Anny voltou novamente a ter as 60 convulsões por semana. Estávamos em contato com a USP de Ribeirão Preto, que fez um relatório sobre o uso de CBD pela Anny, de posse desse relatório entramos com uma liminar na justiça para que pudéssemos importar o CBD sem a interferência da ANVISA. No dia 3 de abril de 2015, Anny tornou-se a primeira Brasileira autorizada a usar um produto da cannabis de forma medicinal.

 

Anny Fischer atualmente está com 11 anos

 

EVOKE: Você faz parte ou conhece algum grupo ou associação que é a favor da cannabis medicinal?

NORBERTO FISCHER: Existem hoje centenas de associações de uso da Cannabis no Brasil, entre elas registro as três mais fortes: a AMA+ME em Belo Horizonte, a APEPI no Rio de Janeiro e a ABRACE na Paraíba.

 

EVOKE: Por que você acha que a sociedade ainda tem um certo preconceito em relação a usar a cannabis medicinal em tratamentos?

NORBERTO FISCHER: A falta de conhecimento é o motivo do preconceito existente. Quando a pessoa estuda sobre o assunto, busca se informar, o preconceito desaparece. Eu sugiro divulgar o documentário Ilegal, que está disponível no Netflix, pois é uma forma rápida e consistente de mostrar a realidade dos fatos.

 

EVOKE: Por fim, antes da liberação da maconha como remédio, por quais dificuldades no tratamento vocês passaram?

NORBERTO FISCHER: As principais foram com convulsões diárias que Anny tinha. Antes da Liminar da minha filha e da reclassificação do CBD e THC pela ANVISA, era ilegal o uso no Brasil. Com esses fatos, foram criados protocolos pela Anvisa e pela Receita Federal que permitem a importação de forma simplificada. Mas, precisamos avançar ainda mais, precisamos que a Anvisa dê o próximo passo para a regulação do plantio no Brasil, pois somente com a produção nacional poderemos desenvolver as pesquisas necessárias e até mesmo reduzir os custos a médio prazo.

 

 

Revista Evoke

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