Nenhuma diferença justifica a intolerância!

A imagem de que a convivência pode ser pacífica, apesar das diferenças.

https://revistaevoke.com.br/wp-content/uploads/2017/07/revista-evoke-colunista-marcia-zarur.jpg
Marcia Zarur
Notícias, Olhar Brasilia
16/02/18 14:21

O que essa foto desperta em você? Pra mim: ternura e sabedoria. Uma lição que os animais “irracionais” nos dão. A imagem de que a convivência pode ser pacífica, apesar das diferenças.

Nunca vou entender a violência gratuita. Esta semana vi as imagens, inacreditáveis, de um rapaz espancando uma cachorrinha na 312 Norte. Ele chega a arremessar o bichinho contra a parede, num momento de fúria. Chocante! Revoltante! Desumano!

E por quê? A gente se pergunta! Pelo prazer de machucar, pela sensação de poder… Bebida, frustrações… Por mais que eu tente encontrar uma explicação, acho que ela simplesmente não existe. Quando a gente para pra pensar que não foi apenas essa cachorrinha, mas existem “pessoas” espancando outras pessoas por aí. Crianças agredidas. Algumas apanham até morrer.

Como assim? Que mundo é esse?

A Igreja Católica lançou ontem a Campanha Fraternidade e Superação da Violência. Em mensagem aos brasileiros, o Papa Francisco pediu uma cultura de paz, reconciliação e justiça; e desafiou as pessoas a deixarem de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança.

Não importa qual a sua religião, mas o tema da campanha é nobre, justo e muito oportuno. O combate à violência depende muito mais de nós do que imaginamos e começa por pequenas ações, no dia a dia. Em atitudes no mundo real e no virtual também.

Mais tolerância, por favor!

Muita ‘gente de bem’ acaba disseminando o ódio pela internet, com comentários e mensagens que incitam a violência. Temos visto isso acontecer com força no Brasil pelas disputas políticas que contaminam as redes sociais, separam famílias e destroem amizades. A incapacidade de diálogo e a intolerância nunca foram tão visíveis no país dividido.

Isso sem contar o que deixa de ser bate-boca e entra no rol de crimes. A Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos registra, em média, 2.500 denúncias diárias. Pedofilia, racismo, neonazismo, intolerância religiosa, incitação a crimes contra a vida, homofobia e maus-tratos contra os animais estão na lista. E os casos de intolerância e preconceito vêm crescendo assustadoramente, como mostram pesquisas recentes.

Pensar um pouco antes de agir, ou pesar as consequências antes de compartilhar algo nas redes, já ajuda. Exercitar a empatia é fundamental. Todos podem contribuir para a construção de uma sociedade mais justa e pacífica. Afinal, temos que continuar acreditando na ideia romântica de que nossas ações ajudam a mudar o mundo!

Nota do Ibram, Instituto Brasília Ambiental em 16/02/2018:
Agressor de cachorro vai pagar 2.250 reais

Para Hudson Batista de Melo, morador da SQN 312, flagrado pelas imagens da câmara do bloco agredindo severamente seu cachorro, o que viralizou nas redes sociais, o Carnaval ainda não acabou. Nessa sexta-feira, 16 de fevereiro, ele foi notificado pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e vai responder a um processo por maus-tratos contra animais. Além de sofrer sanções criminais, Melo também irá responder administrativamente por seus atos. Diante da Policia Civil ele alegou que estava embriagado quando agredia seu próprio cão.

Segundo a Lei nº 4.060, de 18 de dezembro de 2007, artigo 3º, praticar ato de abuso ou crueldade em qualquer animal e golpear, ferir ou mutilar, voluntariamente, qualquer órgão ou tecido animal, exceto no caso de castração cirúrgica, é crime grave. Por isso, com base nas provas capturadas pelo vídeo, o infrator será multado em R$ 2.250,00.

 

Este texto foi originalmente publicado no site Olhar Brasília

 

 

Revista Evoke

Acompanhe nosso instagram e veja no stories as novidades.