Mensagem para você: proteja-se das fraudes

Enquanto a produção e coleta de dados na internet vem aumentando, junto, aparece o crescimento no número de golpes e fraudes

Estevan Furtado
Notícias, Tech
24/12/18 11:31

De acordo com o Indicador Serasa de Tentativas de Fraude, o Brasil teve 1,964 milhão de tentativas em 2017, cerca de uma a cada 16 segundos. Dados do órgão mostram que no primeiro bimestre deste ano já ocorreu 305.480 tentativas de fraude, ou seja, uma a cada 17 segundos. Vale ressaltar que no ano passado os brasileiros fizeram R$ 1,36 trilhão em compras com cartões, conforme dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs).

Com isso, são muitos os relatos de estelionato, roubo e furto sofridos por parte da população. Um crime que a cada dia está ficando mais comum e fazendo milhares de vítimas.

Mais um entre milhares

Em dezembro do ano passado, *Marcelo foi mais uma vítima do crime de estelionato. O funcionário público recebeu uma correspondência da SERASA informando que ele tinha uma dívida de cerca de R$2500,00 em uma rede de lojas de departamento. Algo que jamais poderia ter acontecido pelo fato dele nunca ter feito compras na loja.

Foram usados dados pessoais da vítima – RG, CPF e até mesmo endereço residencial – por criminosos que fizeram compras em seu nome. “Eles conseguiram diversos dados meus, mas eu não faço a mínima ideia de como isso aconteceu. Não tive nenhum documento perdido, e também não fiz cadastro em sites ou locais suspeitos. Fiquei muito assustado porque nunca comprei nada naquela loja e principalmente em saber como conseguiram tantos dados meus. Me pergunto até hoje como isso aconteceu”, conta a vítima.

Marcelo foi pessoalmente até uma das lojas da rede em que o golpe foi aplicado. Mostrou documentos e explicou toda a situação. Os atendentes da loja entraram em contato com a SERASA, que pouco tempo depois retirou seu nome do sistema de dívidas. Por uma questão de garantia, o funcionário público fez um pacote de segurança na empresa e sempre que seu nome ou CPF é pesquisado, ele é notificado. Uma forma de evitar que o ocorrido aconteça novamente. “Além desse pacote de segurança que eu contratei, também evito fazer cadastro em qualquer lugar ou site e também de passar dados por telefone”, disse Marcelo.

Conheça a Lei Geral de Proteção de Dados

O número de vítimas de crimes cibernéticos cresce anualmente, mas como uma forma de reduzir esse número, a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece um novo regramento para o uso de dados pessoais no Brasil, tanto no âmbito online quanto offline. O texto garante maior controle dos cidadãos sobre suas informações pessoais: exige consentimento explícito para coleta e uso dos dados, tanto pelo poder público quanto pela iniciativa privada e obriga a oferta de opções para o usuário visualizar, corrigir e excluir esses dados.

A lei foi sancionada pelo presidente Michel Temer em agosto. Agora, há um período de adaptação de 18 meses. David Reck, CEO da Reamp, empresa especializada em soluções e serviços para mídia, tem ressalvas quanto ao texto. “O processo impactará  negativamente as empresas porque a coleta de dados não autorizada será dificultada, e ela passa a ser ilegal com pena de autuação. Então, quem possui dados colhidos de forma legal, que identifica seu público e faz uso de forma correta, passa a ter muito mais valor no mercado dentro desse serviço que é agregado do que anteriormente”, conta o CEO.

Já o Marco Civil da Internet, uma lei que regulamenta a utilização da internet, estabelecendo princípios e garantias que tornam a rede livre e democrática no Brasil. foi de suma importância para a discussão chegar até aqui. Foi esse marco que deu o pontapé para todos esses avanços tecnológico que estamos vivenciando. David Reck acredita que agora é possível de verdade falar sobre proteção de dados na internet. “Creio que o Marco Civil foi uma legislação muito importante por ter sido a primeira grande lei a surgir trazendo regulação para o ambiente digital, e agora no quesito de dados ela ganha corpo com a LGPD brasileira”, afirma.

Vale lembrar que a internet é um ambiente em que uma vez que o dado for exposto, você perde o controle sobre essa informação. David fala que dessa forma, em muitos casos, você não consegue mais apagar aquela informação, não consegue evitar o que vão fazer com essa informação e nem com a replicação e o uso daquele dado em outros lugares. “Vale ter consciência de que tipo de exposição e qual o motivo dessa exposição você quer ter perante o meio digital, como: locais onde você frequenta, qual é seu padrão social e financeiro, onde você mora e trabalha, onde possui seus ambientes de lazer. Tudo isso, de uma maneira indireta e em pequenas publicações, você vai expondo sem querer”, explica o CEO da Reamp.

 

Reportagem de Estevan Furtado, com supervisão de Basilia Rodrigues