Fórmula E

Um caminho rápido para o Brasil se tornar o maior mercado de veículos elétricos da América Latina

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Clayton Sousa
Automóveis, Lifestyle
30/04/18 16:13

Quem está acostumado com o ronco dos motores da Fórmula 1, estranha. Quase não se ouve o barulho dos carros. Passa um piloto, passa outro e, daí, você percebe que está mesmo em outro mundo – mais moderno e conectado com o meio ambiente. Estamos falando da Fórmula E – um choque para quem depende do petróleo até para se divertir.

Os veículos, completamente elétricos, são capazes de chegar aos 225 km/hora. O único problema é que a bateria não dura toda a prova. Pertinho da 15ª volta, o piloto faz um pit stop e, em vez de fazer o recarregamento, ele troca de máquina – com custo estimado em R$ 2,8 milhões – e sai literalmente voando.

 

A competição

A Formula E é uma categoria muito nova – começou em Pequim, em 2014. Este ano, 20 pilotos de 10 equipes participam da 4ª temporada. Em fevereiro, Santiago recebeu a quarta corrida com 12 curvas, distribuídas em 2.460 metros, pelo centro da capital chilena. A largada ocorreu na Avenida Santa Maria, passando pelo Rio Mapocho, Praça Baquedano e Forestal Park, retornando à Avenida Santa Maria.

De olho na pista e nos telões, mais de doze mil pessoas com ingressos nas mãos. Fora as milhares que disputavam espaço nas calçadas e sacadas de prédios vizinhos. Depois de muitas silenciosas aceleradas, derrapadas e acidentes, os campeões foram Jean-Eric Vergne, Andre Lotterer e Sebastien Buemi. Os brasileiros Nelsinho Piquet e Lucas Di Grassi não tiveram bom desempenho e terminaram em 6º e 17º lugares, respectivamente.

 

Mobilidade elétrica: uma revolução acelerada

Mais do que uma nova paixão de entusiastas por velocidade, a Fórmula E é um laboratório milionário de tecnologias – muitas delas já em uso mundo a fora. Não estamos falando de velocidade, mas de autonomia. Outro desafio para a disseminação de veículos livres da dependência dos postos de combustíveis, principalmente em países emergentes como o nosso, é a falta de infraestrutura. O recarregamento das baterias não é realizado apenas em casa. Ele precisa ser feito, também, em shoppings, supermercados, restaurantes e até em estradas.

A multinacional ABB, líder nesse tipo de mercado, tem cerca de 6.000 carregadores ultra rápidos espalhados por 57 países (dois entre as cidades de São Paulo, Campinas e Jundiaí, com uso gratuito). Com esses dispositivos, em quatro horas, um carro consegue carga suficiente para rodar, em média, 200 km. Achou o tempo longo? A empresa suiço-sueca apresentou neste ano uma nova versão do equipamento capaz de fornecer energia para 100 km, em apenas quatro minutos ligado à tomada. Com 12 minutos, você terá a bateria cheia. Detalhe: a invenção custa aproximadamente R$ 80 mil. O preço pode ser pago pelos fornecedores de energia, como a Companhia Energética de Brasília (CEB), ou investidores interessados em cobrar pelo serviço.

No entanto, este modelo de negócio ainda depende de uma regulação por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A grande novidade, em meio a tudo isso, é que “o Brasil pode ser o maior mercado da América Latina, dentro de 3 ou 5 anos. Temos conversas avançadas, com vários parceiros para a instalação de recarregadores rápidos. O carro elétrico é o futuro, e um futuro muito próximo”, destaca Paolo Pescali, Diretor de Produtos de Eletrificação para a América da ABB.

O avanço dessa rede promissora e ainda desconhecida depende de inúmeras outras variáveis: incentivos por parte do governo, popularização das tecnologias (quanto mais carros vendidos, mais baratos eles se tornam), além da disseminação da nova cultura. “A Fórmula E significa inovação, alta performance e como a tecnologia pode ajudar a mover um mundo mais sustentável. Eu, inclusive, ando num carro elétrico”, afirma Grag Scheu, presidente das Américas da ABB. O importante é que existe, sim, uma luz no fim do túnel – mais eficiente, limpa e renovável.

 

 

Revista Evoke

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