Food Trucks

O que são? O que comem? Onde vivem?

https://revistaevoke.com.br/wp-content/uploads/2017/07/revista-evoke-colunista-basilia-rodrigues.jpg
Basilia Rodrigues
Gastronomia, Lifestyle
02/05/18 14:55

Aquela informalidade da barraquinha de cachorro quente na esquina nunca mais foi à mesma depois do surgimento dos Food Trucks. Ter um trailer ou caminhão para vender comida é algo que exige pesquisa de mercado, profissionais capacitados e investimento. Um negócio desafiador, mas muito saboroso quando bem planejado. “Para ter um food truck é necessário ter, principalmente, um bom estudo de mercado, uma boa ideia com diferencial competitivo e um investimento. O bacana é que com um baixo investimento é possível ter rentabilidade com um baixo risco. Mas fazer a mesma coisa que outros mais de 100 food trucks de Brasília faz, é algo arriscado, é necessário ter um diferencial competitivo”, explica Matheus Mafissoni, 33 anos, sócio da Cozinha Romanzini, especializada em pastas e risotos.

Pense em que tipo de alimento quer vender, o que é preciso para produzi-los, se as pessoas vão quer comprar, claro, como conquistar o consumidor. Coloque tudo isso no papel, reúna a equipe, escute o que potenciais sócios e consumidores têm a dizer. Isso é imprescindível para que ninguém se assuste com exigências sanitárias e de segurança, que custam taxas e organização logo no início do empreendimento. Quando o plano estiver bem detalhado, com boas avaliações de risco, sendo que pra isso precisam do auxílio de profissionais como nutricionistas, engenheiros, contadores, você pode partir para um dos momentos mais esperados: comprar o seu truck.

A partir de R$ 15 mil, já dá pra ter um trailer. Já a adaptação da cozinha vai depender do produto a ser vendido. O empreendedor por comprar o trailer pronto ou adquirir um caminhão e mandar fazer a cozinha. O investimento vai variar de acordo com o produto a ser vendido. Somando o custo do veículo e dos utensílios para equipar o negócio, o investimento inicial gira em torno de R$ 30 mil. Estamos falando de caixa registradora, refrigeração, fogão, chapa, exaustor, pista fria, quente, lixeiras e muito mais, o que pode ser encontrado em lojas especializadas em cozinha industrial, de segunda mão ou em classificados online. “Tudo isso com logística para o pedido ser preparado, finalizado e entregue de forma eficiente. Normalmente, geramos a própria energia com geradores à gasolina, mas é possível pegar energia de uma fonte da CEB (se abrir em um órgão ou empresa, por exemplo), também existe a opção de gerar energia solar por meio de placas e baterias”, explica Matheus Mafissoni, que está no mercado desde 2016.

Não é todo dia que alguém compra um caminhão. Dá pra encontrar opções prontas ou quase prontas para trabalhar, vendo os classificados de jornal. Comprar o veículo em concessionária pode ser uma alternativa. O financiamento é mais acessível, mas demanda mais capital porque é preciso instalar a cozinha desde o básico. Existem empresas especializadas em Brasília e em outras cidades que fazem isso – trabalham apenas com a adequação de caminhões em restaurantes.

Legal, agora você tem um caminhão ou trailer todo equipado. Com o jornalista Fábio Ruas foi assim. “Na verdade, eu não me surpreendi com as exigências, mas me surpreendi com o custo dessas exigências. Só para realizar todos os laudos que incluem vistoria dos bombeiros e da vigilância sanitária é preciso em torno de R$ 3 mil”, explica.

Aos 12 anos, ele ajudava o pai na loja de materiais de construção da família. Foi mais ou menos nessa época que começou a se interessar em ter algo como um carrinho de cachorro-quente. Depois que se formou em Jornalismo, dedicou anos à cobertura de esporte. Um dia veio a crise econômica, uma demissão e uma ideia. “Fiquei um tempo ainda procurando emprego e já meio sem saber o que fazer. Foi quando ressurgiu a ideia de finalmente investir em um negócio de alimentação”, conta.

Ele comprou o veículo necessário, mandou reformar e dá início a uma empresa familiar, o “Jantarzinho”, em que vai trabalhar com a mulher, Élida Ruas. “A nossa motivação para escolher o nome do negócio veio de uma reflexão da minha esposa de que todas as jantas oferecidas à noite popularmente conhecidas como ‘jantinha’ têm os mesmos ingredientes em todo Distrito Federal e Entorno que é exatamente arroz branco, mandioca cozida, vinagrete, feijão tropeiro e um espetinho de churrasco”.

A proposta deles é fazer diferente. Além do arroz carreteiro, galinhada, feijão de caldo, farofinha e salada, todo dia haverá um prato especial. Pratos como arroz com costelinha de porco, arroz biro biro ou arroz colorido, por exemplo. “Além disso, a nossa opção de espetinhos não é de churrasquinhos, mas de espetinhos à milanesa. Tem hambúrguer a milanesa, espeto de queijo coalho, bolinhos fritos de carreteiro que são sensacionais”, deixa todo mundo com água na boca.

Não é permitido parar os food trucks em qualquer lugar. Eles devem ficar a mais de 200 metros dos prédios de bares e restaurantes. Também não podem estacionar dentro de quadras residenciais ou pontos isolados de Brasília.

O lixo deve ser levado para um local de coleta, e deve respeitar as regras de coleta seletiva. No fim do expediente, depois de fechar as portas, tem que diariamente deixar a cozinha limpa.  Não se pode esquecer as mesas e cadeiras, lavar lixeiras, panelas, frigideira e todos os utensílios usados. “Manter o truck limpo por fora é uma obrigação, pois, mesmo que impecável por dentro, o cliente vê primeiro de fora e isso pode descartar algumas vendas. É necessário dedetizar também no tempo especificado no manual de boas práticas que será entregue pela vigilância sanitária”, detalha Matheus Mafissoni, que também é secretário geral da associação Brasiliense de food truck (ABFT).

Na hora de abastecer, não tem mistério. Depende do quanto cabe no tanque do carro, quanto anda e da autonomia do veículo. Se for um trailer, o carro que puxa o restaurante é abastecido. Se for um caminhão ou Kombi ou van, abastece normalmente. É proibido deixar o trailer estacionado no local de trabalho, se não estiver em funcionamento. Por isso, muitos são guardados em terrenos próprios ou alugados.

Certeza é que, em cima de rodas, a vista da janela do seu restaurante nunca será rotina.

 

RAIO-X 

Hoje a legislação exige que um Food Truck tenha:

Licença da Vigilância Sanitária

Licença do Corpo de Bombeiros

Termo de Autorização de Uso de Área Pública (Tauap) da Secretaria das Cidades

Plano de trabalho aprovado nas administrações regionais de onde irá trabalhar

Pagamento de taxa de R$ 7 a 14 mil reais por ano dependendo do espaço que pretende usar

 

 

Revista Evoke

Acompanhe todas as novidades pelo instagram.