Eu não sou um homem fácil

Conheça um pouco da comédia romântica francesa

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Johil Carvalho
Cinema, Entretenimento
29/11/18 18:24

Certa vez, quando participava de um debate de um festival no qual um filme que dirigi tinha acabado de passar, uma mulher me perguntou o que eu achava da função social do cinema.

Naquele momento, respondi que o cinema tem uma vocação social de registrar momentos, questionar valores, mas que não via essa vocação como algo necessário para se fazer um bom filme.

Essa resposta me veio principalmente ao pensar no filme em questão, uma comédia com uma pegada tendente ao comercial, que, ao meu ver, tinha sim uma função social, mesmo que, aparentemente, essa não fosse visível aos olhos de quem perguntava. Vieram-me a mente grandes produções nas quais o entretenimento era o valor principal e que, nem por isso, tornavam-se filmes ruins ou medíocres.

Entretanto essa pergunta continuou a ecoar na minha cabeça, seria possível realizar um bom filme, que entretenha e tenha também a função social como forte viés temático?

Eis que, nessa semana, tive uma grata surpresa ao zapear os filmes produzidos pela Netflix e resolvi assistir a um chamado “Não sou um homem fácil” (Je ne suis pas un Homme Facile, no original).

Esse filme é uma comédia romântica francesa escrito e dirigido por Éléonore Pourriat. Nele, um homem não muito distante dos homens que conhecemos no dia-a-dia acorda em um mundo onde as mulheres ocupam a maioria dos cargos de liderança e os homens são responsáveis por trabalhos domésticos, usam roupas curtas e levam cantadas nas ruas.

Pode parecer um filme militante e certamente tem seu grau de militância, o que não o impede de ser uma ótima comédia que trabalha com nuances que variam das óbvias às sutis, chegando a fazer um homem branco, hétero, cisgênero como eu, que se achava pouco machista rever ou, pelo menos, perceber algumas imposições sociais que incumbimos às mulheres, de maneira leve, divertida e com muitas risadas.

Por fim, ainda não tenho uma resposta definitiva à pergunta da mulher do debate, mas encontrei um filme que conseguiu unir formidavelmente a função social ao entretenimento e recomendo que assistam.

-O filme está disponível no Netflix.

 

Revista Evoke

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