Essa cerveja é de casa!

As cervejarias caseiras estão no paladar dos brasileiros

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Basilia Rodrigues
Gastronomia, Lifestyle
09/01/18 16:21

Gelada, no grau, loirinha ou escura, desce mais uma! Beber cerveja, faz tempo, passa por uma revalorização no país e cada vez mais também aqui em Brasília.

“Muitos cervejeiros caseiros, apelidados de nanocervejeiros, a partir da boa aceitação de suas receitas criaram pequenas cervejarias para aproveitar as perspectivas de negócio. Surgiram assim centenas de empreendedores por todo o país”, afirma Ronaldo Morado, autor do Larousse da Cerveja. O livro, com nome de dicionário e em tom de enciclopédia, explica em detalhes a história e as curiosidades de uma das bebidas mais populares do mundo.

O movimento cervejeiro no Brasil se caracteriza pelo slogan “beba menos, beba melhor”. Ou seja, não é um convite pra beber de forma indiscriminada e nociva mas uma reunião de ideias e temperos. Essa cerveja é sentida no paladar.

Para Morado, quem diz não gostar de cerveja ainda não encontrou o sabor certo. “Muitas pessoas quando pensam em cerveja pensam na Pilsen, que é aquela mais comum, hoje não é assim, há muito mais sabores, aromas, texturas”, explica.

A Cervejaria Stadt, por exemplo, nasceu em Brasília, bem ali no Setor de Indústrias Gráficas (SIG), em 2004. Era um bar onde também a própria cerveja era produzida. Hoje a marca comemora a inauguração de sua nova fábrica, montada em Luziânia (GO). São 20 tanques de pura cerveja que englobam todas as etapas de fermentação e maturação. Por mês, produzem 200 mil litros da bebida.

Pra vender bem, além da qualidade do produto, esse segmento preza pela criatividade. No exemplo brasiliense, a Stadt Cervejaria aproveita o mercado pra fazer entregas do chopp artesanal em casa, salões de festas, clubes e empresas. “Está tendo uma revolução da cerveja. Essa cerveja especial, que gostamos de chamar de artesanal, nasceu antes da Pilsen mas caiu no esquecimento, só que tem tido um renascimento. Eu gosto muito de comparar com o vinho. Tempos atrás, num restaurante, o máximo que tinha era um vinho tinto ou branco, hoje o brasileiro já pede pelo tipo da uva. O brasileiro está ficando com o paladar mais apurado também quanto à cerveja. É algo que está de fato vindo pra ficar”, disse, Marc Cunha, um dos sócios da empresa, à Revista Evoke.

Hoje há seis variações da cerveja brasiliense. Todas em homenagem à Brasília: a Pilsen Capital, a Ipa Monumental, a Weiss JK, a Belgian strong ale Delirius, a Bebida Mista Ipê Roxo e a Lager Brasília.

Iniciada na Inglaterra e nos Estados Unidos, a revalorização mundial da cerveja chegou em ondas ao Brasil a partir dos anos 1980. A primeira onda foi em 1986 com a instalação da cervejaria Bavarian Park em Curitiba. A próxima fase se deu em 1995, de acordo com o Larousse da cerveja, quando houve a criação do Dado Bier, em Porto Alegre, o primeiro bar-cervejaria do Brasil. Aos poucos, surgiram outros bares semelhantes como o Colorado (1996), de Ribeirão Preto (SP), o Krug Bier (1997) e o Três Lobos (depois Backer, 1990), de Belo Horizonte (MG). A terceira onda do movimento cervejeiro artesanal brasileiro se iniciou em 2006, com a criação da Associação dos Cervejeiros Artesanais Cariocas (ACERVA Carioca). O objetivo era reunir os cervejeiros do Rio de Janeiro para compartilhar receitas mas a ideia deu tão certo que estimulou outros amantes da cerveja a criarem diversos grupos regionais, o que deu força para o surgimento da ACERVA Nacional.

Coloca uma cerveja, ou um barril de cerveja sem marca, em um página. Destaque pra bebida e não pra marca.

 

 

Revista Evoke

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