Deu Alok em todos!

Maior nome da música eletrônica do momento carrega trilha cheia de histórias e só cresce

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Basilia Rodrigues
Entrevistas, Notícias
17/08/18 17:38

Como que pede para um astro desacelerar? No auge da carreira, o DJ Alok, brasileiro de Goiás, passou por provações em sua vida que o forçaram a colocar o pé um pouco no freio. A agenda continua agitada, principalmente em tempos de Copa do Mundo, mas Alok tem pedido para desmarcar alguns shows, evitar entrevistas e falar mais sobre sua música do que sobre a vida pessoal. “Ele pediu um tempo para si, para discernir tudo o que está acontecendo. Foi muita coisa em pouco tempo. Muito stress. A questão do filho, o problema no avião. Ele precisa digerir isso ainda”, afirmam auxiliares de Alok com quem a Evoke conversou em busca de detalhes sobre a vida do artista.

É que os últimos meses saíram totalmente da rota desenhada pelo artista. Em maio, mês do Dia das Mães, ele publicou um relato emocionado em suas redes sociais sobre a perda do filho. “A luz que surgiu trazendo o verdadeiro sentido das nossas vidas se foi, mas novas luzes virão”, disse em uma declaração apaixonada à namorada, que estava grávida de 7 semanas. Uma semana depois, o DJ sofreu um novo baque. O avião em que ele estava simplesmente saiu da pista na hora da decolagem até parar em uma ribanceira. “Foi um susto”, disse. O episódio ocorreu durante viagem em Juiz de Fora, Minas Gerais. Mas ele vem demonstrando muita maturidade, como dizem os amigos, por ser um cara “iluminado”.

A Revista Evoke escolheu Alok para a capa especial, desta décima quinta edição, por seu espírito altruísta, sua capacidade de resiliência e de lançar tendências. Goiás, Brasília, São Paulo, Rússia foram alguns destinos por onde o DJ passou no último mês carregando milhares de fãs para os shows. Alok prepara uma escalada intensa de shows em agosto. Será também quando o DJ completa 27 anos.

 

REVISTA EVOKE: É um dos brasileiros com menos de 30 anos mais influentes do país. Na sua avaliação, em que o seu trabalho influencia ou quem?

ALOK: Em todos os trabalhos que eu faço, tento passar uma mensagem que motive as pessoas de alguma forma. Quero deixar um legado muito maior do que o brasileiro mais ouvido do mundo. Quero ser parte da mudança de cada um despertando a mudança nos outros também.

REVISTA EVOKE: Explica para os seus fãs, sei que todo mundo pergunta isso, qual a origem e o significado do seu nome?

ALOK: Significa de outro mundo, fora da curva. A escolha foi por conta do Osho (o guru), meus pais o encontraram e o nome foi influência dele. E hoje vejo que tudo faz sentido.

REVISTA EVOKE: Vindo de um estado tradicionalmente sertanejo mas filho de DJ’s, quem são seus ídolos musicais?

ALOK: Meus pais, Pink Floyd e Eric Prydz.

REVISTA EVOKE: Quais são suas 5 músicas prediletas?

ALOK: Difícil falar quais são as minhas preferidas, pois curto muitos gêneros. Ouço muito rock, pop, hip hop…

REVISTA EVOKE: Tem vontade de concluir seu curso de Relações Internacionais ou fazer outra faculdade?

ALOK: Eu cheguei a cursar Relações Internacionais, mas não conseguia me ver fechado em uma sala pelo resto da vida. Então eu mudei e deu no que deu (risos).

REVISTA EVOKE: Quando você não está fazendo música, o que você faz? Esporte? Viaja? Se afasta de música?

ALOK: Ultimamente ando dividido entre viagens e shows, mas sempre encontro um tempo pra me divertir com os amigos e matar a saudade da família.

REVISTA EVOKE: Seu trabalho é reconhecido pela autenticidade e até por driblar quem não apostava no seu estilo no início. Em algum momento você achou que não seria compreendido?

ALOK: Acho que chegar até aqui é fruto de muito trabalho. Agradeço muito pela fase atual. Vejo que é resultado de tudo que eu sempre acreditei, colocando sempre à frente honestidade e índole. Sempre com os pés no chão e também contando com uma equipe de excelentes profissionais.

 

Desde os 10 anos, o universo desse astro gira em torno da música. Ele começou em uma parceria com o irmão Bhaskar – gêmeo não idêntico, que também segue a carreira solo de DJ. Alok morou em Goiânia só até os cinco anos. Depois, viveu entre Holanda, Inglaterra, Alto Paraíso (GO) e Brasília. Os pais são DJ’s e criadores do festival de música Universo Paralello. Alok, feito muitos jovens da cidade, estudou Relações Internacionais na Universidade Católica de Brasília, mas largou o curso pela metade.

O rapaz é conhecido por sempre dizer que gostaria de viver de música. Até ser escolhido melhor Dj do Brasil, TOP DJ 19 do mundo para a revista britânica “DJ Mag” e único brasileiro a alcançar 280 milhões de plays na principal plataforma da música do mundo, o Spotify – em que se tornou também o primeiro brasileiro a figurar no TOP 100 Global. Em 2017, ele foi eleito pela Forbes Brasil como uma das 91 pessoas com menos de 30 anos mais influentes do país. São muitos títulos.

Este ano, Alok fez sucesso com a música Ocean e, por trás dela, mais uma história cheia de nuances. É inspirada na trajetória de uma fã que morreu de câncer, aos 12 anos. Ela tinha dois sonhos: conhecer Alok e o mar. A doença encurtou sua vida, interrompeu os sonhos, mas a eternizou nesse hit, que, como o nome sugere, fala de profundidade. “Eu vi um anjo olhando para mim. Seus olhos não abrem mais. Machucados, eles não podem ver. E então, eu chorei toda a noite e eu não conseguia dormir. Tudo o que ela queria era ir para o mar”, diz uma das estrofes. O DJ divulgou que não houve tempo de conhecer a fã pessoalmente, mas os dois conversaram por telefone.

Essa letra ilustra porque as músicas de Alok fazem tanto sucesso. Ele consegue unir boa música com ícones do mundo globalizado, sejam ídolos ou causas sociais. Com pegadas de techno e house, as picapes de Alok são embaladas por som e vocais. Foge do ápice eletrônico, do clássico “tuntz, tuntz”, para uma balada com tons suaves, relaxantes e com elegância. Ao falar da despedida de um ídolo, o DJ Avicii, afirmou que “ele mudou a cena! Arriscou no novo e quebrou os paradigmas! Pra quem me acompanha, sabe que sempre cito o Avicii, Calvin Harris, Guetta, Daft Punk como minhas inspirações, não é de hoje”, disse em suas redes sociais.

No fim de 2017, ele esteve na África, pelo projeto Fraternidade Sem Fronteiras. “Nossa felicidade sempre dependeu da felicidade de outras pessoas, e isso faz cada vez mais sentido. Me envergonha pensar quantas vezes reclamei ou reclamo de algo em meu dia a dia quando temos tanto e somos tão abençoados. É impressionante ver quanta resistência e força há nestas pessoas que suportam adversidades e faltas, para mim insuportáveis”, publicou sobre suas descobertas.

Agora, por causa da Copa, ele esteve na Rússia para impulsionar uma música que fez pensando no mundial. “Eu não quis buscar nada que falasse de futebol ou algo específico, mas algo que realmente tocasse os brasileiros de forma cultural”, disse. Você pode ouvir nas plataformas musicais. Já deu pra perceber que não só pela música, Alok vem se consagrando um representante do Brasil lá fora. Ou do Brazilian Bass, como se popularizou no mundo.

 

 

Revista Evoke

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