Contra o racismo, coragem!

Mulheres negras enfrentam as barreiras com militância ativa e ocupam lugar de destaque na sociedade

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Basilia Rodrigues
Lifestyle, Tonalidade
13/03/18 14:15

Em um país onde a maioria é tratada como minoria, os obstáculos de pardos e negros, numericamente majoritários nas estatísticas populacionais, se mostram recorrentes. No entanto, as mulheres negras enfrentam as barreiras com militância ativa e ocupam lugar de destaque na sociedade. A Lei nº.7.716/1989, que estabelece o racismo como crime e a de Cotas, Lei nº. 17711/2012, têm contribuído para o aumento do número de denúncias e o empoderamento feminino.

“A grande questão que se põe hoje é que o racismo no Brasil é tão cruel, que estabelece um lugar de minoria aos negros. E nós não somos minoria, quantitativamente, mas minoria do ponto de vista econômico”, lamenta Cristiane Sobral, atriz, escritora e poeta. Cristiane foi a primeira atriz negra graduada em Interpretação Teatral, pela Universidade de Brasília (UnB), em 1998. “Numa época em que não existiam as cotas”, lembra. Filha de pais adotivos, nasceu no Rio de Janeiro e mudou-se para a capital do país aos onze anos de idade. Vinte anos depois, a UnB é a universidade com mais estudantes negros do que brancos. O número de alunos que se declararam negros e pardos, de acordo com levantamento feito pelo Observatório da Vida Estudantil da própria UnB, responde por 50,6% dos matriculados no segundo semestre de 2017. Desde 2003, a universidade adota o sistema. Foi a primeira instituição pública de ensino superior do país a reservar vagas para negros. Em contrapartida, o número de professores negros na UnB ainda é minoria, não ultrapassa os 2% do corpo docente.

As populações parda e negra têm participação nas várias esferas sociais e econômicas, e alcançam espaços mais altos a passos lentos. Apesar da morosidade que a sociedade impõe, os avanços acontecem. “Se hoje colhemos alguns frutos, somos o resultado do movimento negro, de 1978. Frutos de uma militância que plantou tudo que colhemos hoje”, reconhece Cristiane. Basília Rodrigues, repórter há dez anos da rádio CBN, concorda que há espaços conquistados pelos negros e relembra a época em que entrou para a profissão. Na ocasião, conta, o pai a aconselhou a fazer concurso público para que tivesse espaço garantido e protegido contra ações preconceituosas. “Eu não poderia, na concepção de vida dele, investir em sonhos mais altos. Sonhe, moderadamente, porque você é negra”, recorda-se do que dizia. Hoje, com a carreira consolidada – a jornalista é também editora da Revista Evoke e colabora para o Congresso em Foco e Jota, de notícias jurídicas, – ela não se diz imune ao racismo. “Agora, de certa forma, avalio que eles me engolem. Ou, melhor, eu engoli a todos”, diz.

 

Reportagem originalmente publicada na Revista Mátria – da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

 

 

Revista Evoke

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