Bate o prazer de pensar…

Pensamento é uma das coisas que tornam a vida humana maravilhosa

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Basilia Rodrigues
Lifestyle, Tonalidade
10/08/18 17:22

Dentro daquela lista de coisas que tornam a vida humana maravilhosa, existe o prazer de pensar. Acontece mais ou menos assim, eu diria que um emaranhado de lã se cruza formando conexões, de fato, perfeitas, ou poderia comparar com fios desencapados que criam uma energia única chamada: pensamento. Os entendidos chamam isso de conexões neurais, não é mesmo?

Ler textos com “perguntas”, por exemplo, é como bater na porta do pensamento, é um chamado inequívoco para o pensar. Não é mesmo?

Às vezes, é bem chato ficar de sobreaviso achando que a qualquer momento pode vir uma pergunta e você precisa ter uma resposta. Acaba surgindo um outro tipo de prazer, um desejo de não ter que pensar em nada.

É tão instigante tentar entender como ocorre a formação de um pensamento que, ao mesmo tempo, é inacreditável perceber que algumas situações do dia-a-dia simplesmente nos tiram o prazer de pensar. Nos fazem acreditar que não tem escolha. Fica mais fácil compreender quando comparado com feijão e arroz. Qualquer pessoa sabe o que é acha que é fácil fazer, e às vezes come sem nem perceber. Se for simples, todo mundo diz: é como feijão e arroz. Passa mesmo pela linguagem da aceitação em que o que está pronto, está posto.

Assim, aquela habilidade básica do pensamento humano de agrupar e categorizar fica mesmo em segundo plano. É a mensagem de celular que é vista mas não é lida. É a nova regra do trabalho que veio aí para padronizar ainda que totalmente fora da realidade. “Você já abraçou seu filho hoje?”, diz a campanha politicamente correta. Abraçar não é suficiente, mas não tem isso escrito no letreiro. “Fui ao Piauí e lembrei de você”. Lembrou mesmo? Acho que é algo que está escrito na camiseta, na caneta, no chaveiro e era quase uma obrigação comprar, ainda que sem sentir. É como se na sua ausência de pensar, houvesse alguém pensando por você. Já pensou nisso? Se está lendo o texto até aqui, é porque você está pensando e a reflexão sobre isso é intransferível.

Assim como “they say”, na tradução literal, vivemos dizendo “eles dizem” para justificar as nossas próprias atitudes. É que “eles dizem” funcionam para tudo, desde estatísticas a receita de bolo. É só dizer “eles dizem” e, pronto, não precisa se responsabilizar por tudo o que disser em seguida.

Tudo gira mesmo ao redor de ideias, sejam suas ou de quem você permite pensar no seu lugar.

 

 

Revista Evoke

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