Athos Bulcão – a simplicidade genial

O pintor, escultor e desenhista que revolucionou Brasília

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Marcia Zarur
Notícias, Olhar Brasilia
04/07/18 15:01

O sol faz a festa! Brinca com as sombras e os volumes na fachada do Teatro Nacional. Seria difícil imaginar blocos de concreto que parecem não ter peso e que, ainda por cima, trazem um toque lúdico. Mas Athos Bulcão consegue a mágica.

Seria difícil também imaginar o Teatro com as paredes lisas e monótonas como qualquer outra. Mas aqui é Brasília, a cidade-invenção, e não poderia ter sido campo mais fértil para a criatividade de Athos.

Fachada do Teatro Nacional Rodrigo Santoro, em Brasília (Foto: João Cruz)

Ele integrou de forma tão natural à obra de arte à paisagem, que a gente nem se da conta de toda a genialidade exposta nos nossos caminhos. Talvez o mais extraordinário do trabalho de Athos seja justamente isso: ele não precisa de museus pra exibir suas criações. Está mais próximo dos olhos e dos corações do brasiliense do que qualquer outro.

Chega a ser impossível dissociar a imagem da cidade das formas de Athos. Como falar de Brasília e não pensar nos azulejos? Uma das imagens que vem à cabeça, na hora, é o delicado painel da Igrejinha.

Acho que minha admiração por Athos Bulcão é hereditária. Permanece ao longo das gerações da família. Ainda mais quando a gente descobre segredos da personalidade daquele senhor, que antes só conhecíamos por fotos e pelas obras.

Outro dia, conversando com Valéria Cabral, a maior guardiã da memória do artista e diretora da Fundação Athos Bulcão, me encantei ainda mais com a generosidade dele. Ela me contou que, em muitos painéis, Athos deixava os pedreiros livres para assentarem os azulejos da maneira que quisessem.

Dava pequenas orientações, com voz serena e paciência. Assim, sem empáfia e sem alarde, convidava os operários a serem coautores da obra.

Este ano comemoramos o centenário de Athos Bulcão. Mas nós, brasilienses, temos o privilégio de, mesmo sem saber, comemorar esse artista todos os dias do ano. Em cada “esquina” da cidade, ele nos lembra, com cores e formas, que a vida deve ser sempre leve e bela!

 

 

Texto originalmente publicado no site Olhar Brasília.

 

Revista Evoke

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