“Aproximei muito a secretaria dos empregadores”

Thiago Jarjour desponta no meio político como bom gestor de uma das áreas mais afetadas pela crise

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Basilia Rodrigues
Economia, Entrevistas, Notícias
30/06/17 15:10

O secretário de trabalho do Distrito Federal é formado em Marketing, estudou Música e foi preparado para ser herdeiro dos negócios do pai mas optou pela vida pública.

REVISTA EVOKE: O que faz o secretário de Trabalho num país com 14 milhões de desempregados? Como achar emprego em Brasília? Como enfrentar os desafios sendo gestor dessa área?

THIAGO JARJOUR: O cenário não é uma característica peculiar de Brasília. O Brasil vive uma crise política e financeira muito séria. E a gente tem criado uma nova lógica dentro da secretaria que é aproximar a Secretaria do Trabalho dos empregadores, era uma secretaria que tinha uma relação muito próxima dos trabalhadores mas muito distante do setor produtivo. E como eu venho do setor produtivo e entendo a importância do empregador, eu aproximei muito a secretaria dos empregadores. Uma das grandes reclamações é a qualificação profissional. A gente tem apostado em algumas ferramentas, criamos um programa chamado Qualifica Mais Brasília, que qualificou mais pessoas em toda historia da Secretaria de Trabalho. A gente qualificou 12 mil trabalhadores só no ano de 2016, com um custo de R$ 340 mil. Sendo que os programas de qualificação profissional da secretaria custavam historicamente de R$ 5 a 9 milhões.

REVISTA EVOKE: Quais habilidades o Qualifica Mais Brasília desenvolve?

THIAGO JARJOUR: A gente tem um quadro hoje em Brasília de que 70% dos postos de trabalho são na área de serviço. A maioria dos cursos é voltada para essa área. São 21 cursos gratuitos, na modalidade de ensino à distância, tem de 40 a 160 horas, leva até 3 meses para fazer. A gente contratou uma das melhores empresas do Brasil em qualificação de ensino à distância. Desses 12 mil trabalhadores, quase 50% declararam que se empregaram depois de fazer a qualificação profissional.

REVISTA EVOKE: Você tem um nome conhecido no meio empresarial. Mas trilhou pela política e agora tem uma secretaria fundamental no governo. Quem é o Thiago Jarjour que o brasiliense tem que conhecer mais?

THIAGO JARJOUR: A minha família é pioneira na cidade. Meu avô chegou aqui em 1958 com três filhos, um deles é meu pai, o Abdala Jarjour. Essa cidade acolheu minha família e minha família foi importante na construção dessa cidade. Meu avô e meu pai são sírios, foram para Belo Horizonte, na década de 1940, e depois vieram para essa cidade esperança chamada Brasília. Eu sou o primogênito do meu pai. Ele me criou a vida inteira para assumir o lugar dele nas empresas e foi a pessoa mais importante na minha construção não só como gestor mas como ser humano. Chegou um momento em que eu estava com 4 irmãos mais novos aptos a tocar a empresa da família e eu resolvi me doar para vida pública pensando no futuro da cidade que eu amo, onde vou ter filhos, vou casar… Brasília é uma belíssima cidade e merece estar muito mais bem colocada aos olhos do brasileiro.

REVISTA EVOKE: Como reage às críticas ao governo?

THIAGO JARJOUR: Eu faço parte de um governo do qual eu me orgulho. Está tentando fazer transformações na cidade depois de inúmeros governos que levaram a cidade para o buraco. Me julgo parte da primeira geração política de Brasília, que tem filhos nascidos em Brasília. Rollemberg chegou aqui com apenas 6 meses de idade, não deixa de ser considerado um brasiliense. Eu espero ver uma comunidade brasiliense mais consciente na hora de escolher seus representantes. Espero que em 2018 vejamos transformações mais significativas, não só no ambiente de governo, mas no Legislativo também. Renovação não só nos nomes mas na forma de pensar política para as pessoas, sobretudo as pessoas que mais necessitam, que estão sendo deixadas para trás. Isso, no futuro, é caos social. A gente tem em Brasília e no Entorno o mesmo IDH da Suíça e o pior comparado com um país da África. Isso numa faixa de 60km de diferença. Se a gente pensar no centro da cidade e em Águas Lindas, a gente tem o pior e o melhor IDH do mundo. O problema é que a maior parte dos políticos que vemos hoje entra na política para cuidar do próprio umbigo.

REVISTA EVOKE: Como você vê a cidade daqui 5 anos, por exemplo, quanto à política/economia?

THIAGO JARJOUR: Eu espero que as novas gerações, estou falando de quem ainda não ingressou no mercado de trabalho, revolucionem essa cidade. Os governos estão quebrados, as máquinas públicas vão se enxugar e onde nós vamos empregar essas pessoas se a gente não apostar nos jovens, em mais coragem para empreender. Eu vejo Brasília daqui 5 anos com uma geração que vai pensar bem diferente de hoje.

REVISTA EVOKE: Você que está diretamente ligado ao mercado de trabalho tem sentido uma melhora na gestação de vagas, uma estabilização ou o problema continua crescendo?

THIAGO JARJOUR: Brasília chegou a um nível de desemprego estável. É uma cidade peculiar, diferente de várias outras capitais do Brasil, sobretudo diferente das cinco áreas metropolitanas onde acontece a PED – que é a Pesquisa de Emprego e Desemprego. (Além de Brasília, tem Porto Alegre, Salvador, São Paulo e Fortaleza). Nos últimos sete meses consecutivos, Brasília tem apresentado um número positivo na criação de novas vagas de emprego. De março para abril, a gente teve a criação de 14 mil postos de trabalho e ao mesmo tempo 14 mil pessoas entraram no mercado de trabalho. Por isso, o desemprego está estável e não diminuiu ainda. Há muita gente que vem de fora, de outros estados, ainda acreditando que Brasília é um polo gerador de esperança, que as oportunidades estão aqui. Um dia desses, eu conversei com um casal vindo de Teresina, no Piauí, que estava na agência do trabalho do Plano Piloto e eles disseram: “a gente sabe que aqui está ruim, mas acredite lá está muito pior”.

REVISTA EVOKE: Como eventos, a exemplo do Campus Party, podem estimular a geração de emprego ou estimular as pessoas a continuarem acreditando em suas trajetórias profissionais?

THIAGO JARJOUR: A Campus Party é o maior festival de inovação, tecnologia e empreendedorismo do mundo. (O DF sediou o evento em junho). Acontece há 20 anos, já passou por 20 países. A gente vê a Campus Party de São Paulo acontecendo desde 2008, e a Campus de Recife que já teve quatro edições. É um evento que promove muito conteúdo, discussões extremamente importantes para o futuro da humanidade. O maior legado que deixa para a nossa cidade é fortalecer o ambiente de inovação, empreendedorismo e futurismo. A gente tem muitas iniciativas legais acontecendo: várias startups, vários projetos inovadores de ciência, com vértices distintas que se encontram em Brasília. No sentido mais virtuoso da palavra, a Campus Party é uma “bomba” que vai fazer muitas iniciativas boas se encontrarem.

 

 

 

 

Por: Basília Rodrigues

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