Alopecia progressiva e irreversível é mais comum em mulheres

Dermatologista, especialista no assunto de alopecia, explica alguns possíveis gatilhos para o surgimento desse tipo de queda de cabelo

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Revista Evoke
Bem Estar, Saúde
13/05/19 10:21

Queda de cabelos é um tema que assusta homens e mulheres de todas as idades. Um tipo, em especial, vem chamando a atenção de dermatologistas.  Trata-se de uma alopecia progressiva e irreversível, mais frequente em mulheres.

Dados epidemiológicos sobre a chamada alopecia fibrosante frontal (AFF) ainda não estão disponíveis, porém observações de dermatologistas ao redor do mundo reforçam o aumento do número casos da doença. “A AFF foi descrita pela primeira vez na literatura médica há cerca de 20 anos e nos chama a atenção pelo número crescente de pacientes que desenvolveram o problema”, explica o dermatologista Dr. Rodrigo Pirmez, coordenador do Departamento de Cabelos da Sociedade Brasileira de Dermatologia-RJ.

“A AFF se manifesta principalmente pela perda dos cabelos na linha de implantação. A paciente tem a sensação de a testa está ficando cada vez maior. Outro sinal característico é a perda das sobrancelhas que muitas mulheres atribuem a idade, o que acaba retardando a procura pelo dermatologista”, detalha o médico.

Acredita-se que alterações hormonais tenham um papel importante no desenvolvimento da alopecia, uma vez que a doença afeta predominantemente mulheres e é associada com o período perimenopausa.

O surgimento recente da doença leva pesquisadores a acreditarem que fatores externos que tenham sido introduzidos há pouco tempo no meio ambiente possam estar atuando como gatilho da doença. Fatores já aventados incluem uso de protetores solares e cosméticos, exposição a telas de computadores, contraceptivos orais e diferentes dietas. No entanto, ainda não há nenhum estudo que comprove que esses fatores sejam responsáveis pela gênese da doença.

A autoimunidade, ou seja, quando o próprio organismo se ataca, também é considerada. Pesquisas sugerem que pacientes com AFF tem maior incidência de doenças autoimunes.

Há ainda a impressão de que a gênese da alopecia fibrosante frontal possa ser multifatorial e que um único gatilho não seria suficiente para desencadear a doença.

“É importante ressaltar que esses estudos da doença são iniciais e que não há confirmação de que nenhum dos fatores estudados possa ser, de fato, um gatilho para o surgimento da doença. Portanto, não existem recomendações oficiais no sentido de se proibir ou estimular o uso de nenhum produto ou comportamento específico”, reforça Dr. Rodrigo Pirmez.

“Minha recomendação é que o paciente busque a consulta com dermatologista especializado em doenças de cabelos e couro cabeludo e realize os exames indicados para confirmar o tipo de alopecia. A partir de uma avaliação individualizada o médico irá prescrever o tratamento adequado. A AFF tem tratamento e o diagnóstico precoce é chave para o sucesso do tratamento”, conclui.