Alongamento e treinamento de força. Posso Fazer?

Alongamento e flexibilidade trazem ao corpo a possibilidade de aumentar a amplitude articular e elasticidade sem interferir no seu formato

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Allan Lucena
Bem Estar, Fitness
21/07/17 12:18

O alongamento, assim como a flexibilidade é uma valência física que traz ao corpo a possibilidade de aumentar a amplitude articular, quando ainda em tempo, e aumentar a elasticidade muscular sem interferir no seu formato ou posição
original. Sabe-se que a mobilidade articular precisa ser trabalhada na infância, por não haver ainda a plena calcificação e que o treino de força deve ser inserido e mantido por toda vida para evitar instabilidades. Sabe-se, também, que a elasticidade muscular traz consigo aspectos congênitos no aspecto mais elástico ou mais encurtado. Por isso algumas pessoas têm mais facilidade, outras mais dificuldades em tocar no chão, quando se inclinam para frente, flexionando todo o tronco, por exemplo.

A grande questão é como utilizar a mobilidade e a flexibilidade a seu favor na hora de fazer a musculação e nas atividades funcionais, como a calistenia, que requerem grande consciência corporal para as execuções de posições e
manobras corporais tanto estáticas, quanto dinâmicas, presentes nesta e em outras modalidades.

Sabe-se também que a calistenia tem se tornado uma atividade muito atuante na periodização de treinamentos indoor e na prática de rua. Não diferente da musculação, ela obriga o praticante a usar amplitudes máximas em seus exercícios. Mas na calistenia é mais comum perceber essa necessidade, caso contrário os movimentos não serão executados ou evoluídos, diferente da musculação que é bastante comum se executada de forma curta e por não haver fator limitante do movimento no momento da execução. Ou seja, certo ou errada, a amplitude em algum ângulo é executada e o movimento e repetições se concluem.

Nesse sentido, a musculação se tornou a vilã dos alongamentos, mas será que realmente a culpa é do treino de força? Será que essa atividade diminui a elasticidade

muscular e a amplitude articular? O volume muscular conquistado pela hipertrofia em altos níveis de trabalhos e ganhos como os fisiculturistas diminuem sim a amplitude do movimento articular, mas não passa de um impedimento mecânico da aproximação dos seguimentos, não se tratando de encurtamento ou falta de flexibilidade. A melhor estratégia para vencer a falta de amplitude no treino de força e o impedimento por alto índice de massa magra, como também pelo alto índice de gordura corporal, é a execução dos movimentos, pois um treino bem feito dificilmente causará a perda de flexibilidade, assim como um treino mal feito contribuirá para a limitação articular e de mobilidade, podendo até causar futuras lesões.

Cabe nitidamente uma avaliação dos seus movimentos e percepção da sua consciência corporal durante qualquer atividade, no intuito de perceber a amplitude executada e na correta execução dos movimentos. Perceba que o papel do alongamento está diretamente ligado a melhores resultados, não sendo um impedimento em nenhuma atividade ou modalidade praticada.

Para um entendimento definitivo, use o alongamento como trabalho positivo e benéfico para o seu corpo em três ocasiões ou objetivos:

1. O primeiro no sentido de aquecimento corporal com os exercícios estáticos e balísticos, que por assim dizer, são os movimentos dinâmicos como balanceios e movimentos em vários grandes ângulos no sentido de preparar o seu corpo
para qualquer atividade, começar com o estático feito por você mesmo e de forma leve e, por fim, próximo ao início dos exercícios o balístico como descrito logo acima.

2. O segundo que é mais específico, o movimento estático, ativo ou passivo, ou seja, com sua própria ajuda e com ajuda de outro que por sua vez requer um pouco mais de atenção, tanto para evitar o excesso de amplitude e sofrer lesão, quanto para que não errar na postura e afetar a articulação por hora já calcificada e com amplitude definida, sob novo risco de lesão. A sugestão nesse caso é que esse trabalho seja considerado como um treino, devendo inclusive ser feito em horários invertidos ao de outras atividades e principalmente ao do treino de força, pois há risco comprovado de perda de potência muscular.

3. Por fim, como forma de relaxamento, o estático somente, sem grande carga de força e pressão, apenas para soltar a musculatura e liberar a articulação por completo, por terem sido exigidos fortemente no treinamento.

Bons treinos e boa evolução, agora que você já sabe que o vilão da perda de flexibilidade e o motivo de lesões e encurtamento é a sua má escolha quanto ao tipo de trabalho a se fazer para ganhar flexibilidade e não o próprio alongamento em si.

 

 

Da redação

Allan Lucena