88,4% dos brasileiros pretendem comprar menos por impulso, diz pesquisa

Estudo aponta os novos hábitos de consumo do brasileiro durante e após o isolamento social no país

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Revista Evoke
Economia, Notícias
05/05/20 18:07

A pandemia da Covid-19 e o isolamento social necessário reinventaram o comportamento dos brasileiros em relação ao trabalho, ao consumo de produtos e serviços e à convivência dentro de casa com seus familiares. Segundo pesquisa, esses novos hábitos vieram para ficar.

Para entender este cenário do “novo normal” da rotina do brasileiro durante a quarentena, e os indicativos de comportamento após o isolamento social, a Hibou, empresa de pesquisa e monitoramento de mercado, em parceria com a Indico, plataforma de dados, levantou um estudo entre os dias 17 e 18 de abril, com mais de 3 mil brasileiros que mostra a grande mudança que o consumo está sentindo e irá sentir após pandemia.

 

Impactos financeiros

A conta já aparece para a maioria dos brasileiros, em que 64,8% dos entrevistados já sentiram o impacto negativo do isolamento em seus ganhos financeiros. Já para 32,5%, os ganhos financeiros permaneceram os mesmos. E para uma minoria de 2,7%, os impactos desse novo momento foram muito positivos.

“Alguns setores souberem se adaptar mais rápido, como delivery de alimentos ou inclusão de novos produtos como máscaras descartáveis e álcool em gel, e com isso trouxeram uma nova renda ao negócio.” explica Ligia Mello, responsável pela pesquisa, e fundadora da Hibou.

Mais da metade dos brasileiros, 53,7%, têm evitado qualquer tipo de compras desnecessárias, enquanto 34,7% têm medido melhor a necessidade de uma compra. Uma minoria (5,6%) está apenas aguardando para retomar seus hábitos de compra e para 6,2% ainda nada mudou.

“Enquanto é normal que a maioria da população tenha freado as aquisições dado não só o momento, mas as incertezas de como o mercado brasileiro lidará com a retomada, o interessante é que um terço dos consumidores está envolvido em criar novos critérios de compras e próprios de decisão, aprendendo, por exemplo, a lidar com a espera.” explica Ligia.

 

Consumo consciente

Após a quarentena 88,4% dos brasileiros pretendem comprar menos por impulso, pensando mais no que vai gastar. E isso vale também para marcas famosas e queridinhas dos consumidores, pois 72,2% afirmam que estão menos dispostos a pagarem mais caro por um produto só por ser de uma marca famosa que gostam.

“Existem marcas conhecidas e marcas conhecidas pelo que elas entregam. Se durante a última década vimos o crescimento do ‘uma marca não é quem ela diz ser, é o que dizem dela’, hoje temos essa consolidação e ao mesmo tempo, como em qualquer outra crise, caem as margens para mark-up baseado apenas em construção de imagem” diz Marcelo Beccaro, responsável pela pesquisa, e fundador da Hibou.

Em contrapartida o consumo local ganha espaço na visão dos entrevistados e 61,5% deles estão mais dispostos do que antes a pagar um pouco mais caro por um produto que ajude a sua região ou cidade.

“A restrição de mobilidade trouxe um novo olhar das pessoas para os bairros onde residem, pois antes elas só circulavam por seus bairros pela manhã ou no retorno ao trabalho onde quase tudo já estava fechado. Agora elas passaram a conhecer o pequeno restaurante local, mercadinho da rua, ou entregador de água, e criou-se um laço que provavelmente será mantido após o confinamento” diz Marcelo.

 

 

 

Novas prioridades

Como o brasileiro pretende mudar seus gastos após o término do isolamento social?

Quase metade dos brasileiros (45,3%) diz pretender gastar menos com o carro depois do fim do isolamento. Já os gastos com viagem devem crescer para 29,1% dos entrevistados. Dos 15 segmentos analisados, o mercado Pet se mostra o menos afetado por cortes no futuro: apenas 10,7% pretendem reduzir seus gastos com bichinhos em relação a antes da pandemia.

Onde gastar mais?

O confinamento mudou a importância das coisas na vida das pessoas. Manter a casa um espaço confortável e fazer viagens são os focos do investimento do brasileiro após a quarentena. As viagens ficaram em primeiro lugar com 29,1% dos brasileiros dizendo que vão aumentar seus gastos, 39,1% que vão manter os gastos. Já reformas ganharão aumento para 12,3% dos brasileiros, enquanto 48,5% pretendem manter o ritmo.

 

 

 

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