#EvokeFeminist – Três irmãs e uma escolha: empreender

Conheça a trajetória das irmãs Alcântara e suas três marcas

Caroline Cesar
Empreededorismo, Notícias
08/03/18 11:10

Três irmãs que transformaram suas mentes inquietas em criação. Bárbara, Débora e Julia Alcântara além de dividirem paixões por fotografia, moda, decoração e beleza, também possuem almas empreendedoras. Em 2010 criaram o blog Tudo Orna e lá compartilhavam experiências pessoais e sobre sua cidade natal, Curitiba. Após estabelecerem um relacionamento fiel com seu público, as meninas decidiram expandir para seus produtos autorais.

 

Na ORNA Concept (@ornaconcept), são vendidos acessórios que acompanham a vida diária, como bolsas. Já a ORNA Makeup (@ornamakeup), valoriza todos os tipos de beleza com produtos de maquiagem.  O último empreendimento é o ORNA Café (@ornacafe), um espaço que incentiva o empreendedorismo criativo. Lá tudo é produzido de forma consciente, valorizando a mão de obra local e materiais de qualidade.

 

 

Julia, Débora e Bárbara Alcântara.

 

Em um mundo onde o mercado de trabalho avança cada vez mais, as mulheres precisam estar inseridas nesse processo de desenvolvimento para alcançarem seus desejos e vontades profissionais. Em entrevista exclusiva com as irmãs Alcântara, as empreendedoras declararam sobre as mulheres: “Nós queremos nossa independência e agora temos meios que nos ajudam a ir atrás disso.”

 

Revista Evoke – Qual principal fator levou vocês ao mundo do empreendimento?

Tudo Orna – Na época da escola, nós sentíamos que nossa criatividade era limitada pela instituição. No mercado de trabalho tradicional, não sentimos que nosso pensamento se encaixava. Por isso, no empreendedorismo, encontramos uma forma de fazer o que acreditávamos do jeito que acreditávamos que era possível. Foi algo natural, nascemos com esse espírito empreendedor, uma vontade de ter algo nosso, que desse retorno financeiro, mas, principalmente, que nos permitisse ajudar outras pessoas a realizarem seus objetivos. Nossos pais sempre foram muito empreendedores, isso também nos inspirou, e a sensação de trabalhar com uma área que você gosta e que transmite seu propósito é incrível.

RE – Quais diferenças que vocês notam em relação ao perfil da mulher empreendedora de alguns anos para cá?

TO – A comunicação avançou muito de uns anos pra cá e a internet serviu como espaço pras mulheres erguerem suas vozes e mostrarem seu trabalho. As novas formas de comunicação nos trouxeram novas formas de provar pro mundo que somos capazes de fazer tudo aquilo que acreditamos, além de proporcionar um local para criarmos espaços de apoio para mulheres, seja um grupo no Facebook, uma conta do Instagram ou um blog, onde nós podemos trocar experiências e conhecimento entre nós. Apesar de ainda haver resistência, temos conquistado espaço no âmbito do empreendedorismo e no mercado em geral. Nós queremos nossa independência e agora temos meios que nos ajudam a ir atrás disso.

Julia Alcântara por Gutyerrez.

 

RE – Quais os maiores benefícios e as maiores dificuldades em relação a mulher dentro do mercado de trabalho?

TO – Ser mulher no mercado de trabalho tem várias complicações. Ainda é muito comum sermos subestimadas e não nos darem credibilidade pelas nossas ideias. Precisamos provar constantemente que somos capazes de fazer o que fazemos e passamos por diversas situações em que percebemos conotações nas falas ou abordagens com más intenções. Uma vez, demos uma entrevista a uma rádio onde a Débora era a única mulher presente em meio a cinco homens. Ela foi cortada e interrompida várias vezes, recebeu algumas provocações e falas cheias de cinismo. Por outro lado, fomos a uma rádio dar entrevista a outras mulheres e a experiência foi completamente diferente. Outro ponto que consideramos uma dificuldade é que nós, mulheres, vivemos em uma sociedade bastante machista e fomos ensinadas a desconfiar e competir com outras mulheres, quando deveríamos nos unir para ir mais longe. Nós temos uma força que é quase biológica, temos uma sensibilidade diferente e a habilidade de fazer muitas coisas ao mesmo tempo. Juntas somos mais fortes e é só uma questão de romper as barreiras que nos foram colocadas para conquistarmos cada vez mais.

RE – Vocês já passaram por alguma situação de discriminação no meio profissional por serem mulheres? Que conselho dão para mulheres empreendedoras nesse assunto?

TO – Já passamos sim. Existe uma resistência sobre mulheres serem empreendedoras e bem sucedidas, como se não fosse possível concretizarmos negócios, sonhos, ou o que quer que seja, porque somos mulheres. Para as mulheres empreendedoras, nosso conselho é que não deixem que isso desestabilize vocês. Apesar de querermos, as coisas não vão mudar de uma hora pra outra, por isso sejam fortes e enfrentem esses desafios. Procurem outras mulheres para se apoiarem, inspirem-se em histórias de mulheres que passaram por isso e venceram e, claro, continuem passando a mensagem de união para frente: juntas somos mais fortes.

Débora Alcântara por Gutyerrez

“Quando era mais nova, eu participava de movimentos de startups e no meu núcleo havia somente os homens e eu. Eles gostavam das minhas ideias e da minha presença, mas, na hora das apresentações, eu sempre era deixada de lado. Agora, eu e minhas irmãs estamos em um momento incrível do nosso negócio, para provar que somos mulheres e somos capazes de empreender e realizar nossos sonhos.”, conta Débora.

RE – Deixem uma mensagem para mulheres que estão começando agora no universo do empreendedorismo:

TO – Se você é mulher e tem vontade de empreender, ou pelo menos reconhece a importância disso, mantenha-se unida com outras mulheres, ajudem umas às outras, dando força e suporte. Vocês podem concretizar o que acreditam, mesmo que ninguém mais acredite, então lutem por isso. Sempre vão haver obstáculos, mas não desistam, sejam persistentes. Busquem perfis, páginas e grupos onde mulheres troquem experiências e histórias pessoais, isso pode te dar forças pra lutar. No nosso perfil do Instagram do Efeito Orna (@efeitoorna), fazemos uma comunicação direcionada principalmente às mulheres, que representam 97,3% do nosso público. Estar em contato com outras mulheres nos ensina muito sobre nós mesmas. O mercado muda constantemente, tudo está sempre se atualizando, trabalhem para acompanhar essas mudanças e não caiam nas dificuldades do dia a dia.

Bárbara Alcântara por Gutyerrez.

 

Texto de Caroline Cesár com supervisão de Amanda Pessoa.

 

Revista Evoke

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