Setor Comercial Sul

Um passeio pelo setor que já teve seus dias de glória

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Marcia Zarur
Notícias, Olhar Brasilia
26/06/17 12:12

O setor que acorda cedo, ficou muito tempo com medo de dormir tarde. O que tudo vê, passou anos sem ser notado. O Setor Comercial Sul já teve seus dias de glamour. Não à toa, hoje, quem anda por lá diz: “está sendo revitalizado”. A essência parece voltar.

 

Às 6 da manhã, já tem gente na rua. São centenas de comércios que têm de tudo: vendedor, produto e comprador. Mas dava 6 da tarde, e já tinha porta fechando e as ruas se esvaziando. Ficava quem a cidade não quer ou não sabe lidar: drogas, prostituição. Faltavam segurança e inspiração. Tão diferente de outras décadas, ali há 50 anos, onde edifícios eram disputados por autoridades e empresários diante da localização privilegiada e do fácil acesso. Até mesmo Juscelino Kubitschek tinha uma sala em um dos prédios. Tudo fica tão perto, como a Rodoviária e o Parque Um passeio pelo da Cidade. O mesmo espaço abriga lojas, museu, escolas, escritórios de advocacia… O Setor, ainda que a contragosto, já tinha se acostumado a ter hora de dormir, a ser evitado mesmo sendo tão importante para a cidade quanto a artéria de um corpo.

 

Parte da beleza desse corpo foi projetada por Lúcio Costa. O tempo e o descaso de muitos a desgastaram precocemente. As paredes machadas, por pichadores e até mesmo da água que escorre dos aparelhos de ar condicionado, lembravam mais um lugar abandonado. Mas está mudando. Esse desleixo com o que só Brasília tem deu espaço a meios-fios pintados, iluminação, os camelôs foram retirados dos espaços entre os prédios. Está tudo mais organizado, dá para andar. O trânsito mudou. Tudo isso é para você sentir vontade de ir lá, e se já foi, voltar.

 

É difícil não perceber as mudanças. Foram tantos anos de decadência. Para mostrar a diferença, nada como a fotografia. Alunos da Universidade de Brasília levaram mostras de fotos para exposição na Praça Central do SCS. Recortes fotográficos das novidades do Setor Comercial Sul. Agora dá para fazer festa, conhecer calçadas antes escondidas, espaços renegados em pleno centro da capital. É uma demonstração de que o que há de ruim na periferia também pode melhorar. Vide o coração de Brasília.

 

“A cada dia mais pessoas acreditam no potencial do Setor Comercial Sul. O local é privilegiado, tornando-se exemplo pra quem vem de fora. Precisamos transformar a cultura no centro para fazer com que as pessoas queiram frequentar este espaço! “, afirma Caio Dutra, do Coletivo Labirinto, que organiza encontros, atividades, rodas de música no setor não mais abandonado. Ainda bem!

 

Márcia Zarur

Jornalista

Criadora do Olhar Brasília