O uso de óculos e os problemas de visão entre jogadores

Veja alguns exemplos e como eles são prejudiciais

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Revista Evoke
Bem Estar, Esportes
10/07/18 17:37

O jogador Bruno Henrique, atacante do Santos, voltou a jogar futebol depois de quase ter que abandonar a carreira. Ele levou uma bolada em um jogo do campeonato paulista deste ano e sofreu cinco lesões diferentes no olho direito. Ele teve uma ruptura na retina, rompimento de vasos sanguíneos e problemas no nervo ótico e na mácula. Foram 4 meses de incertezas até conseguir controlar as hemorragias e tratar os edemas antes de voltar a campo. Os problemas de visão já foram responsáveis pelo afastamento precoce de alguns craques do futebol mundial. No Brasil, o caso mais conhecido é o de Tostão, o camisa 9 da seleção tricampeã em 1970. Ele deslocou a retina ao receber uma pancada e parou de jogar futebol.

O oftalmologista Renato Neves explica que o jogador de futebol para desempenhar bem a sua atividade tem de ter coordenação visual olho-pé e olho-corpo. Além de uma visão em profundidade do campo capaz de registrar visualmente os espaços abertos para se locomover e preparar jogadas. A visão periférica também é fundamental. Ela não só ajuda na execução das jogadas como também permite que o jogador se previna contra colisões e incidentes. “Os jogadores mais habilidosos têm uma visão bastante desenvolvida para focar nesses pontos dentro de campo e antever ou agilizar jogadas. Sendo assim, qualquer problema que comprometa essas habilidades poderá prejudicar o rendimento dentro do campo”.

Jogadores que têm problemas mais comuns de visão como miopia, hipermetropia e astigmatismo precisam tomar alguns cuidados para ter um desempenho adequado. Cada jogador apresentará um grau diferente de dificuldade para cada um desses tipos de erros de refração. “Tudo depende do grau e do quanto ele está acostumado a compensar o problema de visão. Um grande exemplo são os óculos ou lentes de contato gelatinosas. O astigmatismo, por exemplo, é um problema diretamente relacionado à córnea – o paciente enxerga as imagens de forma distorcida e borrada. Essa falta de definição/precisão pode ser fundamental”, explica o oftalmologista Renato Neves.

O problema é que o uso de óculos pelos jogadores de futebol foi um tabu durante muito tempo. Alex, que foi ídolo do Palmeiras e do Coritiba, só no fim da carreira assumiu o uso dos óculos e disse certa vez que conhecia histórias de técnicos que proibiam jogadores de usar óculos. A FIFA, por quase 150 anos proibiu que o jogador de futebol usasse óculos em campo. A autorização só veio em 2010, ano da copa da África, e desde que o árbitro se certificasse que os óculos não representariam um risco de ferimento ao atleta.

Mesmo assim é raro ver jogadores usando óculos nas partidas de futebol. O jogador holandês Edgar Davids foi um dos poucos que assumiu o uso de óculos durante a carreira. O mais comum é que os jogadores que apresentem algum problema de visão usem lentes de contato para poder jogar. Mas mesmo as lentes podem causar acidentes em campo. O jovem jogador Lucas Paquetá, do Flamengo, uma das promessas do futebol brasileiro, chamou a atenção por causa de uma pancada que sofreu no olho esquerdo durante o jogo com o Palmeiras. A lente de contato se deslocou e ficou presa dentro da vista. Paquetá levou quase cinco minutos fora de campo até que os médicos retirassem a lente e substituíssem por uma nova. “O cuidado para o jogador que usa lentes é que elas têm que ser macias e gelatinosas. As lentes rígidas devem ser evitadas, pois podem se descolar e causar problemas para o jogador durante a partida”.

 

 

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