Leonardo Sant’Anna, o policial especializado em ensinar

Conheça o DJ que fez carreira na Polícia Militar

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Cel. Leonardo Sant'Anna
Notícias, Segurança
30/04/18 16:29

Fazer segurança com qualidade não deve ser visto como algo utópico. Também não é dizer que seja tranquilo. No melhor estilo de que “missão dada é missão cumprida”, há vinte e cinco anos, Leonardo Sant’Anna, o Coronel Sant’Anna, é um obstinado pela capacitação de policiais e de todos que desejam se aprofundar em segurança pública e privada.

Esqueça a imagem oito ou oitenta do policial desajeitado ou durão demais. Sant’Anna é um DJ que fez carreira na Polícia Militar até virar consultor internacional em segurança. “Não foi fácil e isso é ótimo. Olhando para trás, vejo que valeu a pena o processo de pegar aquele rapazinho que tocava músicas em boate do famoso Centro Comercial Gilberto Salomão, cheio de molejos e gingados, e fazê-lo, em pouco mais de cinco anos, comandar operações de alto risco no BOPE”, revela.

Depois de duas décadas na PM, ele já se dividia entre o trabalho local, coaching, palestras e o compartilhamento de políticas públicas, táticas e estratégias pelas Américas, Ásia e Europa. Inclusive com direito a convite do Discovery Channel. “Um dia teremos profissionais de segurança mais respeitados quanto ao que fazem diariamente. Já rodei praticamente todos os continentes e garanto: o único ponto que nos torna inferiores é nosso peculiar sistema de justiça criminal e a obrigatoriedade governamental de obedecer a esse estranho mecanismo, tirando o cidadão do foco principal e do conceito de o cliente público ser o mais importante”, diz.

A vontade de ter uma segurança melhor nasceu logo nos primeiros passos. No fim da década de 1990, o policial Sant’Anna tirou dinheiro do próprio bolso para ajudar a custear o primeiro de muitos cursos de capacitação para seus colegas. Depois disso, gente de todo o país e do exterior vinha para Brasília atrás de seus conhecimentos. Ainda na transição do vídeo cassete para o DVD, ele coleciona histórias de alunos que faziam rifa desses aparelhos eletrônicos para investir na capacitação. “Juntava as pessoas com inspiração. Era muito caro para nós em todos os aspectos. Aquilo me moveu de forma muito intensa. Os instrutores americanos perguntavam o porquê de eu preferir não ganhar dinheiro com os cursos. Era justo, mas menos colegas teriam aquele conhecimento”, diz.

Por conta dos custos, ainda era mais fácil conseguir levar pessoas para fazer alguns cursos nos Estados Unidos do que no próprio Brasil. “São pelo menos mil disparos para conseguir proficiência. Aqui uma munição, dependendo do tipo de armamento, pode sair por quase R$ 20 a unidade. Pra dar mil tiros, nada menos do que R$ 20 mil. O mesmo profissional vai para os Estados Unidos, dá os mil tiros, com passagem, hospedagem, experiência, alimentação e volta pro Brasil gastando R$ 8 mil a menos. Para gestores, em outros cursos e proporções, não é diferente. Não se protege pessoas apenas apertando o gatilho”, detalha.

Ainda que todos os riscos devam ser avaliados, alguns são inadmissíveis e podem ser reduzidos. Por isso, desde 2001, Leonardo Sant’Anna compartilha ao máximo o conhecimento que acumula. Como poucos, ele fala fácil e ainda muda do português para o inglês ou espanhol em um estalar de dedos. Não à toa, policiais suecos, franceses, italianos, mexicanos, americanos, timorenses se sentiam tão confortáveis ao ouví-lo quanto os da Unidade Tática da Rotam, do BOPE ou acadêmicos de cursos universitários.

Trabalhando, dividido entre Orlando e Brasília, seu foco agora é aumentar o alcance do que ele chama de lazer diário, tudo por intermédio dos cursos e ferramentas de Gestão de Liderança Ética, em parceria com educadores da Universidade de Amsterdam; das atividades como Diretor Executivo da Black Coach Brasil; e como âncora no programa Questão de Segurança, hoje na Rádio Federal. “Como coach e sendo de uma família de educadores, sei que tornar pessoas melhores é o maior empoderamento que existe”.

Para “o professor”, como muitos o chamam carinhosamente, qualidade de vida e segurança jamais devem estar escondidas em uma “caixa preta”.

A partir desta edição, ele integra o seleto time de colunistas da revista Evoke para falar de algo que interessa a todos e exige bons profissionais no controle: a sua segurança.

 

 

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