A essência de Athos Bulcão

O ponto de partida dessa grande exposição itinerante é Brasília

Revista Evoke
Arq Urb Decor, Lifestyle
02/01/18 10:42

Athos Bulcão está na brasilidade das cores, nos traços inconfundíveis dos desenhos, na personalidade das pinturas, na lógica imprevista das fotomontagens, na força dos cenários e figurinos, na relação univitelina entre arte e arquitetura, no sagrado e no profano, na explosão da azulejaria brasileira. Com curadoria de Marília Panitz e André Severo, a exposição “100 anos de Athos Bulcão”, realizada pela Fundação Athos Bulcão e produzida pela 4 Art, irá percorrer as unidades do CCBB Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e São Paulo, a partir de 16 de janeiro de 2018.

Com a intenção de propor um profundo mapeamento e imersão na diversidade dos trabalhos e técnicas do artista, a mostra oferece ao espectador a possibilidade de conhecer o processo de sua produção. Incluindo a exibição de obras inéditas, mais de 300 trabalhos de Athos, grande parte do acervo da Fundação, apresentarão ao público um amplo panorama de sua criação entre os anos 1940 e 2005, contextualizando sua obra e seu pensamento. Além disso também serão apresentados trabalhos de artistas que, de uma maneira mais direta – convivendo com ele, no ateliê e nos chás – ou indireta – artistas mais jovens, muitos nascidos em Brasília, que reconhecem a influência do mestre pelo convívio cotidiano com suas obras públicas.

Dividida em núcleos, “100 anos de Athos Bulcão” vai além da arte da azulejaria: destaca também a pintura figurativa do artista realizada nos anos 1940 e 1950, antes de Brasília. – A série dos carnavais e sua relação com a pintura sacra é extraordinária – afirma Marília Panitz, ao destacar que Athos utilizou uma mesma estrutura composicional para trabalhos sacros e profanos, citando como exemplo A Vida de Nossa Senhora, que está na Catedral de Brasília. A mostra contém ainda os croquis que Athos fez para o grupo de teatro O Tablado, do Rio de Janeiro, os figurinos das óperas Amahl e Os Visitantes da Noite de Menotti, paramentos litúrgicos modernistas, grande acervo de seu trabalho gráfico e até os lenços que desenhou quando estava em Paris.

Outro aspecto da exposição é a interatividade, desenvolvida a partir do caráter urbano e democrático da obra pública de Athos Bulcão inserida nas cidades. Através de um aplicativo criado especialmente para a mostra, o público será convidado a interagir e apropriar-se de projetos. Como num jogo, os azulejos de Athos poderão ser “colocados” em qualquer espaço como, por exemplo, a casa do “jogador”. A realização de mesas-redondas com os curadores e convidados especiais que irão dialogar com os visitantes sobre a vida e obra de Athos Bulcão completam a programação.

A primeira delas acontece no dia 17 de dezembro às 10h com a presença dos curadores, Marília Panitz e André Severo, Valéria Cabral, secretária executiva da Fundação Athos Bulcão, além de vários artistas da cena brasiliense.

 

 

Revista Evoke

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