Brasil Ride

A Ultramaratona mais difícil do mundo

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Weimar Pettengil
Bem Estar, Esportes
09/01/18 14:45
O nome ultramaratona já sugere algo, digamos, fora da curva. Quase uma barreira, um muro intransponível. Para super-humanos, quase alienígenas, diria um cético diante da chamada. E quando há sobrenome, a coisa toda parece piorar consideravelmente. Algo do tipo “A mais difícil do mundo”, então, imagino como deva soar.
Bem, o termo correto na verdade é Stage Race, originalmente. E essa modalidade de corridas de mountain bike – aquelas próprias para qualquer tipo de terreno – tem em seus estágios variados algo em comum: o desafio. No Brasil, convencionou-se chamar Ultramaratona de Mountain Bike.
Nascida na Costa Rica como La Ruta de Los Conquistadores, tinha por princípio levar os atletas do Pacífico ao Atlântico, cruzando o país, por certo diminuto em largura, mas agressivo em altimetria, entre o nível dos dois oceanos, tendo como limite o céu, sangrado pelo cume de tantos vulcões da região, que deveriam ser vencidos se possível sobre a bike. Ou, no mínimo, com a bike, apesar de tantas vezes ser inevitável a expressão “apesar da maldita bike.”
Logo em uma das primeiras edições, que mexeu com os brios de aventureiros e ciclistas do mundo inteiro, havia um sul-africano em especial. E estava selado o destino de milhares de apaixonados pela bicicleta, e por desafios: surgia o Cape Epic South Africa, hoje a maior, bem estruturada e competitiva Stage Race do planeta. E o mundo das duas rodas movidas por macarrão e pizza jamais seria o mesmo!
Em outro momento, no aeroporto em Londres, um português radicado no Brasil, chamado Mario Roma, então velejador, compra uma revista de bike e uma das matérias fala justamente do Cape. E preenche uma lacuna em um coração visionário. Não só passou a se envolver imediatamente com as provas que pipocavam pelo mundo, como iniciou-se o processo, ainda mental, de fazer algo do gênero no Brasil.
Deu certo. Em 2010, aconteceu a primeira edição do Brasil Ride na Chapada Diamantina – BA. Utilizando apenas os caminhos do diamante, estradas cavaleiras, trilhas históricas abandonadas, e o complexo de estradas vicinais da região, e devido ao clima nada favorável do Sertão Baiano, foi dado o sobrenome à maior prova de mountain bike das américas. Atletas do mundo inteiro, dentre campeões mundiais do esporte aos desbravadores, brutos por essência e de coração ávido por momentos únicos e inesquecíveis, a unanimidade: no cenário mundial, não há nada tão duro quanto o Ride.
Mesmo tendo mudado de base, deixando a encantadora Mucugê e a hospitaleira Rio de Contas na memória de milhares de ciclistas, o evento não perdeu a pompa. Nem o nível de desafio. A nova base, bem mais amigável para chegar, com aeroporto doméstico, e se instalar, com uma malha hoteleira considerável, une Arraial D’Ajuda e Guaratinga. Mar e Montanha.
E mais uma vez reúne atletas de cerca de 30 países. Campeões mundiais, campeões olímpicos, e campeões nacionais alinhados juntamente com ciclistas amadores em busca de algo em comum: realização.
Sim, são brutos e brutas. Se têm medos, e eu sei que têm, ficam guardados dentro de um cofre revestido de coragem. A dúvida é trocada por meses de foco, disciplina e determinação. Talvez sejam um pouco alienígenas, sim. Mas prefiro vê-los como modificados geneticamente, na concepção. A couraça do coração é mais dura que o habitual. Para quebrá-la, é preciso mais de 600km de razões, e 11.000 metros de subidas duras.
Mas pela oitava vez, alinhando juntamente com essa turma, já sabia exatamente o que aconteceria. Quando o sétimo estágio terminasse e a linha de chegada se aproximasse outra vez, muitos corações estariam expostos, pernas destruídas, mas o peito estufado e orgulhoso pela realização. Dito e feito.
Alguns dirão: nunca mais. Mas a maioria estará lá assim que as inscrições para o próximo ano estiverem no ar. E nunca mais deixarão de ir.
E se ficou curioso, talvez você faça parte dessa turma. Só, talvez, não saiba ainda. Na dúvida, acesse meu canal no Youtube e inscreva-se. Basta digitar Weimar Pettengill, para que seja conduzido ao nosso mundo do Esporte & Aventura.

Revista Evoke

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