Assédio: uma mulher não escapou desse tipo de crime

Relato de jornalista sobre assédio no trabalho

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Basilia Rodrigues
Lifestyle, Tonalidade
28/02/18 14:22

Alguns acham que é normal oferecer o corpo para alguém no ambiente de trabalho. Outros, ligam em horários inapropriados, enviam mensagens equivocadas, se aproximam demais, tocam, olham, falam – todos agridem.
Em maior ou menor grau, tem muito desrespeito contra mulheres no emprego. Quando um caso se torna público, impressiona. Não é raridade. Surpreendente mesmo é vir à tona. Jornalistas, bancárias, servidoras públicas, secretárias, enfermeiras e tantas outras profissões são alvos dessas “brincadeirinhas”, como alguns gostam de minimizar.

O assédio é um tipo de violência não-letal que os jornalistas, principalmente as jornalistas, estão sujeitos em tempos de valores invertidos e da necessidade por informação e emprego. Um relatório da Associação Brasileira das Empresas de Rádio e TV (Abert) divulgado neste mês lista 82 casos de agressões físicas, que vão desde socos e pontapés a disparos de tiros que não mataram mas machucaram profissionais de imprensa. Já o número de mulheres desrespeitadas em serviço pelo simples fato de serem mulheres aparece de maneira tímida no levantamento. Mas por que são poucos casos? Não. Por causa da vergonha, de restrições e do medo em levantar a voz e denunciar atitudes invasivas, ainda mais quando vem de autoridades públicas ou de pessoas que estão hierarquicamente acima dessa mulher. Dividir a mesma profissão com tantos homens não é a senha de que essas mulheres estejam à disposição. Elas podem exercer as mesmas tarefas, participar ativamente de uma reunião de trabalho, aceitar o convite pra um jantar, sorrir de uma piada, chamar atenção para si e sugerir uma ideia para serem ouvidas. Isso também não é sinal de que estejam afim.

Na página 39, a publicação diz que em agosto, de 2017, “uma mulher não escapou desse tipo de crime”: eu.

A informação poderia passar despercebida pelos meus olhos se justamente o meu nome não estivesse citado lá? Talvez sim. Porque também mulheres não prestam atenção no que mulheres dizem, por total falta de compreensão.

“O deputado respondeu que para ela só mostraria se fosse “o corpo todo”. Diante do constrangimento, Basília pediu respeito por ser repórter e mulher. Sem receber qualquer pedido de desculpas, a jornalista publicou, em seu perfil na rede social, um desabafo intitulado ‘um ensaio sobre a idiotice’. O texto causou a revolta do parlamentar. Dias depois, ele usou as redes sociais e divulgou fotos pessoais não autorizadas de Basília”, informa o relatório.

Depois voltarei a esse assunto. Não é falta de senso de humor, nem mimimi, ou não gostar de cantadas… é que cada lugar tem o jeito de agir e cada um tem seus limites.

De acordo com a ONG Repórteres Sem Fronteiras, entre 180 países avaliados, o Brasil figura na posição 103 no ranking de liberdade de imprensa. Estamos muito atrás para uma democracia.

Veja o relatório da Abert aqui: http://www.abert.org.br/web/images/Biblioteca/Liberdade/abert_relatorio_anual_2017.pdf 

 

 

Revista Evoke

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